domingo, dezembro 30

segunda-feira, dezembro 24

QUAL?
 
Estou aqui concentrado a fazer um poema. Não sei porquê, mas falta-me sempre uma palavra. Às vezes encontro-a a passear na rua em baixo, outras vezes peço-a emprestada às aves que passam. Neste país falta uma palavra. Porque, como disse Lucrécio, uma simples palavra, pronunciada pela boca de alguém que grita, penetra nos ouvidos de uma multidão inteira. Mas, qual será ela?

 

domingo, dezembro 9

PLUTARCO E OS INIMIGOS
 
Estou a ler Plutarco (46-125 d.C), um livro muito interessante, "Como tirar proveito dos inimigos". Não é que eu tenha inimigos, mas convém sempre saber a opinião dos doutos:
 
Se pretendes afligir aquele que te odeia, não o qualifiques como homem degenerado nem cobarde, nem libertino, nem palhaço, nem ignóbil, mas sê tu mesmo um homem. Age com moderação, sinceridade e trata com amabilidade e justiça todos os que lidam contigo.

sexta-feira, outubro 19


CAMÕES E QUEVEDO

Gosto dos poetas espanhóis, leio-os com prazer redobrado quando me alongo no sofá. Hoje, sem querer, encontrei Quevedo, nascido em Setembro de 1580, três meses depois do falecimento do nosso Camões - Junho de 1580. Nunca tive dúvida da universalidade do nosso poeta, mas alguns sonetos de Quevedo provam que ele era lido em Espanha e traduzido (ou plagiado?). Comparem-se estes dois sonetos e conclua-se o que for de concluir:


Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
 
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
 
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
 
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Es hielo abrasador, es fuego helado,
es herida, que duele y no se siente,
es un soñado bien, un mal presente,
es un breve descanso muy cansado.
 
Es un descuido, que nos da cuidado,
un cobarde, con nombre de valiente,
un andar solitario entre la gente,
un amar solamente ser amado.
 
Es una libertad encarcelada,
que dura hasta el postrero paroxismo,
enfermedad que crece si es curada.
 
Éste es el niño Amor, éste es tu abismo:
mirad cuál amistad tendrá con nada,
el que en todo es contrario de sí mismo.

sábado, outubro 13

DEI-TE

Dei-te um poema na palma da mão,
Dei-te um suspiro em troca de arfar,
Deste-me o corpo, deste-me o pão,
Deste-me a dor e o seu navegar.
Deste-me a mão, alei-me fagueiro,
Dei-te um abraço, olhámos o olhar,
E dei-te um beijo molhado, lampeiro,
E deste-me um beijo cheiinho de amar.
Saímos à rua, gritámos é tua,
Aqui vamos nós a caminho do mar,
Porque é lá longe, na margem da lua,
Que o nosso amor quer enfim poisar.
 José Silva, 13.10.2012

quinta-feira, abril 5


OLHA!

Olha que lindo poema!
E eu olhei.
O fundo era a montanha,
O verde e o azul do mar.
Havia um arco-íris.
Olhei.
Num tufo de cores,
Duas mãos dadas
Faziam amor.

José Silva, 05.04.2012

domingo, fevereiro 5

SENSATION 

Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers, 
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue: 
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds. 
Je laisserai le vent baigner ma tête nue. 

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien: 
Mais l'amour infini me montera dans l'âme, 
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien, 
Par la Nature, - heureux comme avec une femme. 

Arthur Rimbaud(1854 -1891)

sexta-feira, janeiro 27

QUANDO TAL

Lembro-me da locução, ouvi-a já em variados contextos. Tem um significado que balança entre o temporal e o hipotético. A verdade, porém, é que nunca a vi escrita, nem há registo dela nos dicionários que possuo. É do tipo:

- Quando tal, vou lá!

Aceitam-se explicações e exemplos.

quinta-feira, janeiro 26

EU ACREDITO EM TI

Follow your dreams
Be yourself an angel of kindness
I believe in you!


Il Divo e Céline Dion
O DESCRITO PODE SER DISCRETO?

Lê-se no Diário Económico de 25 de Janeiro:

A descrição é “o” activo dos reguladores.

Carlos Tavares decidiu ontem questionar publicamente a data de divulgação das contas dos bancos, quando se sabe que apresentarão milhões de prejuízos. A intervenção do presidente da CMVM só acrescenta ruído a uma matéria que exige descrição, para evitar uma injustificada desconfiança sobre a solidez dos bancos.

Lê-se, e não se percebe nada. Se a descrição é um activo, então toca a descrever! Como, porém, diminuir o ruído se, por definição, a descrição apenas o acrescenta? Dito de outra forma: pode o descrito ser discreto, ou a discrição ser descrita? A crer no erro da notícia, pode. Porque de erro se trata, e a notícia ficou de pernas para o ar.