quarta-feira, agosto 29

QUANDO AS FÉRIAS TÊM ASAS...

E já são 29... Que chatice...

segunda-feira, agosto 20

TSUNAMI?

Este ceitil não é meu, vi-o no fórum OMNI, espanhol, e achei graça ao comentário do autor do tópico: " He encontrado pruebas científicas de un tsunami en la Edad Media en Portugal, de como las ollas engullian las torres de los castillos". Este ceitil de Afonso V é, na verdade,muito bonito. Devido a dupla batida, um torreão parece afundar-se nas águas revoltosas do mar. Por estes pormenores e por outros, tenho uma admiração especial por dinheiros e ceitis. Quando os olho, descubro sempre coisas novas, que me prenchem o espírito nas horas de lua chata.

sábado, julho 28

LER É PRECISO!

“Também lês disso?”, perguntaram-me um dia quando me viram com “A Bola” na mão. Pergunta estúpida. “A Bola”, o “Record”, o “Jogo” e outros jornais desportivos são veículos importantíssimos de cultura e, num país que assume o seu profundo gosto pelo futebol, veículos quase insubstituíveis. De manhã, quando tomo o meu cafezito na esplanada em frente, não há cliente que não folheie um jornal desportivo, entre outros. Se não aprofundam outro tipo de leitura, que as pessoas leiam pelo menos jornais. Por isso fiquei contente quando peguei hoje no “Record” e vi lá uma pequena entrevista a Aguiar e Silva, professor catedrático jubilado das Universidades de Coimbra e Minho. Não sabia que o professor tinha jogado futebol, que aprecia natação ou atletismo. Mas era fácil presumir o seu amor pela cultura desportiva: profundíssimo conhecedor da cultura greco-latina, ele sabe que nos jogos olímpicos da antiguidade se projectava a humanidade em todo o seu esplendor. Se até as guerras paravam para ver os desportistas…
Viva o desporto! Vivam os jornais desportivos! Vivam todos os que acreditam que a CULTURA também se faz de dardos, de discos, de varas e de relvas, de campos enlameados, de palavras, de frases e de ideias além dos nossos grandes saramagos.

terça-feira, julho 24

A MINA

Não consigo perceber porque se preocupam tanto com o petróleo. Se o descobrirem ao largo de Peniche (lagarto, lagarto, toc, toc, toc…), era uma vez uma costa linda e donzela. Porque do Carvoeiro, nem vê-lo, quando muito ver-se-á ao longe e ao perto a negridão do carvão… Também não entendo esta azáfama em torno de ouros ou volfrámios, como se de metais vivêssemos neste rectângulo cada vez mais quadrado. Vocês já viram os bancos? Não mexem uma palha, a malta vai de joelhos e sai a esguichar sangue, e ele são lucros fabulosos em hora de soluço colectivo. Portanto, a prospecção só faz gastar dinheiro, é completamente desnecessária, além de dar cabo dos costados cá do pessoal que, na escuridão das minas, tem de vergar a cerviz a tudo quanto é capataz. E tudo isto porque, já viram bem, há uma mina nas estradas, nas ruas e ruelas, nos becos sem saída de cada cidade ou quarteirão. Alguns já descobriram a mina. Ou as minas. Por exemplo, a dos parques de estacionamento. Grande mina, hem? E esta dos limites de velocidade? Caramba… Mais vale tarde do que nunca. Ele era o Porto, ele é Lisboa, é só minério a entrar nos cofres das edilidades… Tenho de me pôr a pau: o meu mesquitinha ou anda a dormir ou anda a programá-las. E era bem feito! Porque é preciso pagar a Pedreira nem que seja à pedreirada… Oh Mesquita, acorda, rapaz!!!

domingo, julho 15

Para quem é, bacalhau basta

Quando eu era rapazote, de canastra na cabeça e pose lampeira, as sardinheiras apregoavam em bem sincopados pregões: “Vinte à croa!”. Era o tempo da sardinha farta e só aparentemente barata. Pelas bandas da aldeia, comer uma sardinha era descobrir o cheiro do mar, e como ela sabia bem em cima de um naco de pão…Tal como as iscas de bacalhau, iscas fritas, que o bacalhau cozido ficava sempre debaixo das couves e das batatas até ao arroto final. Naquele tempo, pois, eram a sardinha e o bacalhau. Peixe do povo, que nem de léguas mirava outras suculentas barbatanas. Para o povo, chegava a sardinha e o bacalhau. Aliás, era o que podia comer, quando de longe se apregoava o pitéu. Mas para os outros havia com certeza boa lagosta e bom camarão. “Para quem é, bacalhau basta”. Naquele tempo, que não agora. Porque agora, o bacalhau não basta ao povo. Já viram o preço dele? Ontem fui comprar duas postas demolhadas, congeladas, assim para o pequeno. Fiquei de olhos em bico: 15 euros (que saudadinhas da croa = coroa=50 centavos)! Meu Deus, como os tempos mudam. No S. João paguei sardinha assada a 3 euros… Não! Temos de mudar a expressão. Melhor será dizer que, “Para quem é, bacalhau talvez baste”. Isto se quisermos dar de oferenda um bacalhau ao grande amigo. Ou talvez um peru. Mas cuidado com os sentidos, que esta língua é mesmo muito traiçoeira…

sexta-feira, julho 13

ESTE ZEQUINHA...

Gosto de trabalhar de noite. Como de costume, ontem ia lendo e escrevendo umas coisitas enquanto via o Chile-Portugal, em sub-20. Não esperava grande coisa da equipa portuguesa que, nos jogos anteriores, demonstrou demasiada fragilidade. Treinador de sofá como sou, lá me vou apercebendo de que estas equipas formadas e orientadas pelo José Couceiro não valem mesmo nada, não criam um lance em condições, andam à deriva. O que vi ontem, no entanto, ultrapassa a linha do minimamente admissível. Os jogadores do Chile corriam dez vezes mais do que os nossos, tacticamente deram-nos um bailinho de todo o tamanho. Não sei muito bem como são escolhidos estes jogadores “de selecção”, como pomposamente gostam de ser chamados. Tenho para mim, no entanto, que dar uns toques e fazer umas piruetas não tem nada a ver, um futebolista profissional que se preze tem de ter tudo no sítio, incluindo logicamente a inteligência e a emoção. Não é de agora que os jogadores portugueses mostram uma fragilidade emocional confrangedora, e algo vai mal no reino dos nossos futebóis. Então aquele final de jogo, com a agressão do Mano e com o Zequinha a tirar o cartão da mão do árbitro, foi de gritos. E não é que o Zequinha ainda se achava com razão? Viram como ele saiu do campo agarrado pelos colegas? Jogar na equipa de Portugal tem de ser outra coisa, muito diferente, a agressividade deve ser demonstrada no próprio jogo e sempre dentro das suas leis. Jogadores com esta instabilidade emocional não podem jogar na selecção portuguesa, tal como não podem comandá-la treinadores que perdem sempre por causa dos árbitros… Que tristeza!

quinta-feira, julho 12

O DESPORTO E A LEITURA...

Sempre gostei de desporto, joguei futebol, participo o mais possível nas actividades desportivas dos meus filhos, aceito inclusive dirigir de uma ou outra forma alguns clubes, ou pelouros de clubes, tudo em nome da saúde física da minha gente. Como se diz em português corrente, “vou a todas”. Acho, aliás, que o desporto é “a” escola de todas as virtudes. Por isso participo, e leio. Há tempos, um amigo que me conhece a veia mais intelectual, vendo-me a ler “A Bola”, perguntou-me meio admirado: “Também lês disso?”. Que resposta havia de dar a tão perplexo amigo? Respondi-lhe: “Claro que leio. E tu, não lês?”. Olhou para mim e acho que percebeu. Porque a cultura também passa pelo desporto. Aliás, como diria o Eça, também passa pela forrrrrça física, a par da forrrrrrça intelectual. E quando ontem disse ao meu mais novo: “Filhote, não te esqueças de ler”, e ele me respondeu: “Compra-me o “Record” que eu leio”, nem pensei duas vezes. A partir de hoje, volto a comprar o “Record”. Eu, que tenho tudo à mão de semear na Internet… Mas se o meu filho quer lê-lo, eu compro-o, pronto!

sábado, junho 30

PIRANHAS

«Parecemos piranhas atrás dos talentos de Portugal», diz treinador do Newcastle.

É verdade. Portugal tem hoje uma política de formação, na modalidade de futebol, que não tem paralelo em toda a Europa. Clubes como o Sporting, o Porto ou o Benfica, mas também como o Boavista ou o Vitória de Guimarães, marcam a diferença e produzem jovens talentos que, se bem trabalhados, rendem fortunas. Pelos lados de Alcochete, há muito se descobriu o filão. O Sporting tem olheiros em tudo quanto é canto, e os resultados aparecem. O Porto vai tentando. O Benfica, o "maior do mundo", tenta dar alguns passos. Para quem conhece o sistema, o Vitória de Guimarães potencia-se como grande formador, e aqui pelo norte bate-se com todos. Bato palmas ao Vitória que, desde os tempos da Unidade, soube construir um património e um centro de formação de grande valor. Claro que é preciso melhorar, mas os resultados estão aí... Infelizmente, o meu Sporting de Braga, neste aspecto, é uma desolação. A equipas dirigentes só querem saber do futebol profissional e dão zero aos jovens, que, coitados, treinam em 5 metros de terra enlameada. E quantos jovens talentos não têm passado por este nosso clube... São uns anjinhos. Para quando uma equipa dirigente com olhinhos? Eu começaria pela base, pelas infra-estruturas. Partiria do zero, porque o Sporting de Braga, neste aspecto, está no zero! E eles, os jovens, saem do clube, partem, vão para os Sportings. E, claro, servem de refeição às piranhas. Quanto recebeu até hoje o Sporting de Braga por ter feito formação desde os Infantis? Imagino que zero absoluto. Uma tristeza!

sábado, junho 23

sexta-feira, junho 22

DEIA AUS PROBES!

Tenho nas mãos a prova de Português do nono ano de escolaridade. Penso dá-la ao meu mais novo, para treinar, acho que conseguirá resolvê-la sem grande dificuldade. Leio a prova e leio os critérios de correcção. Ou muito me engano ou, com base em tais critérios, os nossos alunos serão todos sumidades. Por exemplo, o ponto nove pede para o aluno imaginar, em uma ou mais frases, um slogan para uma campanha de recolha de alimentos. A solução vale 5% do total da prova. Uma ou mais frases. O que é uma frase? Presumo que alguns alunos escreverão uma frase com uma, duas, três ou mais palavras. Porque é possível construir frases com uma, duas, ou três palavras.Vejo os critérios e noto algo de errado. Porque, desde que o aluno respeite a intenção comunicativa e utilize estratégias discursivas próprias do registo apelativo, e desde que não dê mais de três erros, poderá obter a cotação máxima. Temos então que, sendo DEIA AUS PROBES! uma frase de tipo apelativo que me parece fortíssima, até pelos erros que contém, deverá ser cotada com 5 pontos. Há qualquer coisa realmente errada nestes critérios, não há? Porque, se a intenção da mensagem apelativa é persuadir o outro, o que me impede de escrever uma mensagem com erros desde que cumpra tal objectivo? Lembram-se do célebre Tou Xim? Quantos milhões rendeu esta frase com dois erros de bradar aos céus? Há realmente aqui algo que não bate certo.

sábado, junho 16

AS COISAS QUE ELES INVENTAM…

Um partido português recebeu donativos de um senhor chamado Jacinto Leite Capelo Rego. Eu acho bem, até deviam receber do João de Mil Novecentos e Setenta e Quatro, ou da Naída Navinda Navolta. Nem sei porque os outros partidos se abespinham… Cá para mim, seja Jacinto ou João, seja Natércia ou Navinda, o que é preciso é mover a mó do moinho. E depois admiram-se quando, no café ou no restaurante do lado, o Zé manda umas piadas aos excelsos que nos iluminam…

segunda-feira, junho 11

Afinal fui à Póvoa. A experiência tem-me dito que, quando em Braga chove, na praia está sol. E não me enganei, estava mesmo um céu aberto, pelo menos de manhã. Estavam lá alguns amigos e o Alberto Santos conseguiu vender-me os 500 reis de 1900, do nosso rei D. Carlos. A moedita não foi nada barata, mas dá prazer tê-la na colecção. Os malucos são assim, mas há maluqueiras bem piores... Como fumar, por exemplo. Se fumasse, gastaria, em média, 50 euros por mês, ou talvez mais. Com este dinheiro compro umas moedinhas: tenho prazer em coleccionar e invisto. Porque isto de ter o dinheiro no banco só enche o bandulho daquela gente. É ver os lucros fabulosos que têm diariamente... Ainda dei um salto ao Torneio das Marinhas. É um Torneio de futebol infantil de alto gabarito, movido por excelentes carolas e amigos que, sem esperarem qualquer troco, levam bem longe o nome do seu clube e da sua terra. Vi um pouco do meu Braga contra o Porto, estes putos jogam à bola que se fartam. São uns craques! Parabéns ao clube das Marinhas!

domingo, junho 10

Olá, bom dia! Hoje é domingo, tinha pensado dar um salto à feira de numismática da Póvoa de Varzim, mas o dia acordou cinzento. Será que vai abrir o sol? São sete da manhã. Se não abrir, fico por aqui a ler e corrigir trabalhos. Já não é nada mau, ter trabalho para fazer... Um dia bonito para os meus leitores.

sexta-feira, junho 1

BELO PARDAU...

Estava no Ebay, bem tentei apanhá-lo, mas fugiu-me. Pode ser que apareça por aí novamente. É de D. João III (Índia) com S. Tomé sentado à direita, aproximadamente de 1451. Não gostavam de o ter? É lindo!...

quinta-feira, maio 24

O prefixo ANTI

O prefixo é o elemento da palavra, um afixo, que vem antes da raiz (semantema), e tem origem, em geral, em advérbios ou preposições que têm ou tiveram vida autónoma. Há-os de origem grega e latina, e não poucas vezes causam uma grande confusão, provocada, essencialmente, por factores psicológicos de analogia. O prefixo anti é um desses elementos, e não é fácil sistematizar o seu uso. De um modo simples, porém, podemos dizer que tal prefixo:

a) se junta a todas as consoantes: anticorpo, antigripal…
b) excepto às consoantes h, r e s : anti-histamínico, anti-romanismo, anti-semita,
c) e à vogal i : anti-inflamatório.

O significado geral é o de oposição, ou acção contrária.
Não é fácil interiorizar as excepções e jogá-las com a regra. É fácil pensar: se escrevo anti-inflamatório com hífen, antialérgico também deve levar hífen. Errado. Se escrevo anti-semita, porquê anticorpo? Pois é, não há nada como estudar, fixar, sistematizar. Saber Português obriga a saber estas pequeninas coisas...

quarta-feira, maio 23

CARAGO NON... CARAGO!...

No nosso dia-a-dia, de acordo com as múltiplas circunstâncias em que nos movemos, dificilmente usamos um registo de língua uniforme, nem ele existe, como é fácil de ver. Podemos, claro, falar cuidadosamente, com estruturas e palavras “elevadas”, numa conferência de linguística, numa aula de Português, ou, até, numa mesa de café. No entanto, parece evidente que, se participamos num jogo amigável de futebol, o registo desce ligeiramente, e não raras vezes se ouve uma carvalhada acrescida de uma sonora gargalhada. Quer dizer, usamos diversos registos em diversos momentos consoante as circunstâncias, e, se o intuito não for clara e inequivocamente ofensivo, ninguém levará a mal tais carvalhadas. Aliás, expressões consideradas ofensivas, como caralho, ou filho da puta, podem perfeitamente ser usadas com valoração bem positiva. Por exemplo, e neguem-no, se forem capazes, quando vejo Cristiano Ronaldo a torcer os olhos aos defesas e digo Que filho da puta de jogador! Extraordinário…, faço-o com profunda admiração, e nunca com sentido pejorativo.
Vem isto a propósito de uma senhora directora da DREN que decidiu suspender um professor destacado pelo simples facto de ele ter usado a expressão filho da puta num contexto qualquer que não foi especificado ( expressão que, aliás, o professor nega ter usado). E tudo porque, na sua opinião, ofendeu o primeiro-ministro que, ao que parece, é um ser celestial, profundamente angélico e que, durante a sua eremítica vida, nunca deve ter proferido nem uma singelinha carvalhada. Ora, ao que se vislumbra, descobrimos de repente estar o nosso país em fase purgatória, sob os auspícios de angélicos e linguisticamente imaculados dirigentes que, no seu afã de protecção de tachos e panelas, genuflectem perante sábios, eremitas e, pasme-se, até filósofos. Percebe-se a emergência de uma censura que pensávamos a milhas, lá longe, no alto mar. Pelos vistos, as censuras e os censores andem por aí, como diz o zé povinho. Ora bolas: por este caminho, noventa e nove por cento dos portugueses vão ser sujeitos a processo disciplinar por excesso de linguagem. Entom a malta do Puerto, carago… (será que posso dizer carago se o nosso Sócrates me der mais um encontrão? Hmmm… tenho de pensar bem nisso, não vá o diabo tecê-las…).

segunda-feira, maio 21

EUA tentam impedir G8 de impulsionar novo acordo sobre aquecimento global
21.05.2007 – 20h 08m Reuters

É a lei da proporção progressiva: no princípio eram só balas, e lá se foi o índio; nos intermédios eram só bombas, e lá se foram uns, e lá se foram outros; no final de contas, isto é G8 ou é G3? Baixem mas é a bolinha se não ainda disparo umas rajadas que vos lixo...

sábado, maio 19

OS TRÊS

O três é um numeral cardinal, com marca masculina e singular. Quando, no entanto, se ouve a expressão popular os três, plural, remete-se imediatamente para o âmbito sexual. Perder os três significa perder a virgindade. Se procurarmos, porém, o significado de três num qualquer dicionário, dificilmente encontraremos referências que ultrapassem o âmbito numeral. Deixemos a vista alongar-se pelos verbetes relativos a este algarismo e, lá mais para a frente, encontramos o verbete três-vinténs. É isso: quando se fala dos três, fala-se dos três-vinténs. Ora, o vintém é uma moeda, com primeiro curso em D. Manuel I, e os três-vinténs devem corresponder ao meio tostão (50 reais) acrescido de mais dez que, por artes inflacionistas, foram acrescidos ao valor inicial. O tostão media aproximadamente 20 milímetros ( notem bem, 20 milímetros!) de diâmetro. Ora, parece que lá para o norte de África havia o hábito de confirmar a virgindade das donzelas exactamente com uma moeda, que teria mais ou menos o tamanho do hímen. A donzela ganhava ou perdia os três vinténs, consoante fosse virgem ou não. Por metonímia, a expressão deve ter voado de lá para cá, e por isso há quem perca os três. A explicação é interessante e lógica. Mas… exactamente 20 milímetros....?

quarta-feira, maio 16

POIS...

Não, não se trata da princesse aux petits pois, nem do pois chice de que gosto tanto com bacalhau cozido em molho de tomate. Trata-se deste pois, tão eclético em português, que usamos com valorações causais ou conclusivas, e que, em contextos muito específicos, nos deixam torcendo uzolhos ou arrepiando ujdedos. Disse-lhe que não podia ser, que as circunstâncias não o permitiam. Não me disse nada, apenas gorgolejou: Pois… E fechou muito os lábios. Eu percebi-a. Este pois é profundo, e vale novecentas e noventa e nove palavras.

domingo, maio 13

De http://foto-diario.blogspot.com

PUDOR ET VERECUNDIA
Leio « Pudor et Verecundia": deux formes de la conscience morale? de Jean-François Thomas. Penso na origem das palavras, na evolução semântica, na polissemia evidente, na pretensa sinonímia. Pudor: escrúpulo, timidez, modéstia, sentimento de honra ou honorabilidade. Também verecundia>vergonha: sentimento de honra, escrúpulo, timidez, modéstia. Comparo as palavras e parecem-me sinónimos perfeitos. Serão, no entanto, duas formas da nossa consciência moral? Os nossos jovens de calças pelos pés e de cuecas à mostra são despudorados ou desavergonhados? E os nossos políticos, os nossos jardins sem bananeiras visíveis, são sem-vergonha ou sem-pudor? Ora cá está um tema interessante! Ofereço-o a quem queira aprofundá-lo.

quinta-feira, maio 10

ATITUDES

Anteontem fui a um banco depositar uns valores. Quando verifiquei a caderneta voilà um erro: menos 600 euros. Chamei a atenção do empregado que me pediu desculpa e acertou a coisa. Ontem fui ao mesmo banco depositar uns cheques. Quando verifiquei a caderneta, faltavam 1200 euros. Chamei a atenção do empregado ( não era o mesmo) que me pediu desculpa e acertou também a coisa. De manhã, em Guimarães, paguei um café com 5 euros. Recebi de troco 2,5 euros. Chamei a atenção do empregado que me pediu desculpa e acertou a coisa. Ontem à tardinha, na esplanada do Bom-Jesus, paguei dois cafés e umas águas com 20 euros. Recebi de troco 2,80 euros. Chamei a atenção do empregado que me pediu desculpa e acertou a coisa. Acreditem que não estou a inventar, é mesmo verdade! Das duas uma: ou esta gente é muito distraída, ou só sabe somar para baixo e tem de voltar à escola, ou os portugueses são visceralmente corruptos, e não há nada a fazer. Pela minha parte, prometo-me verificar todos os trocos, todos os pagamentos ao milímetro. Porque já sei: a mais nunca receberei um cêntimo; mas é provável que de cinco em cinco minutos me dêem a menos uma caterva deles. Enfim, quem me avisa, meu amigo é... E eu estou a avisar-me.

sábado, maio 5

ROR

Lê-se a palavra. Não, não é rol, é mesmo ror. Mas esta palavra usa-se? Perguntei a uns trinta alunos: ninguém a conhecia. Acrescentei-lhe a preposição de: ror de. Na mesma, como a lesma. Incluí-a numa frase: No S. João estava um ror de gente. Aaaahhh… Agora sim, abriram a boca de espanto. Nunca ouviram ou leram a palavra ou a locução. Mas descobriram o sentido. Interessantes, os mecanismos linguísticos: No S. João estava muita gente. O que poucos sabem é que ror é uma redução de horror: No S. João estava um horror de gente. Costuma estar, desde que não chova.

segunda-feira, abril 30

ROSALÍA DE CASTRO

Un manso río, una vereda estrecha,
un campo solitario y un pinar,
y el viejo puente rústico y sencillo
completando tan grata soledad.

¿Qué es soledad? Para llenar el mundo
basta a veces un solo pensamiento.
Por eso hoy, hartos de belleza, encuentras
el puente, el río y el pinar desiertos.

No son nube ni flor los que enamoran;
eres tú, corazón, triste o dichoso,
ya del dolor y del placer el árbitro,
quien seca el mar y hace habitar el polo.
DIGA-ME, SR. PROFESSOR: QUE É QUE O MEU FILHO FEZ?

O pai de um aluno foi chamado à escola do filho. Quando chegou, disse-lhe: "Diga-me lá, senhor professor, o que é que ele fez? Pelo sim, pelo não, já lhe dei uma tareia". Parece anedota, mas, garante Morgado, aconteceu assim. O caso ilustra como entre algumas famílias está instalada a ideia de que ir à escola dos filhos "é sinónimo de problemas, de ir ouvir alguma coisa má sobre eles". E só isso.

In Público de 30.04.2007

Risível, não é verdade? E dá que pensar. O nosso problema é que pensamos pouco, deixamos que os outros pensem por nós… Eu, que até acompanho razoavelmente a vida escolar dos meus filhos, já senti este problema: os procedimentos burocráticos incidem exclusivamente nos aspectos “negativos” da acção juvenil. O aluno deixa cair um lápis? Comunica-se ao director de turma. O aluno espirra? Comunica-se ao director de turma. O aluno ri-se? Comunica-se ao director de turma. E este, claro, ampliando os acontecimentos, comunica aos pais. Que, embrenhados na sua vida, detestam receber tais comunicados. Em trinta anos de vigilância escolar dos meus filhos, nunca recebi informações positivas suas. Penso que há excesso de zelo da parte de alguns professores, demasiado preocupados com o comportamento dos seus alunos. Tenho para mim que um bom professor saberá encontrar a cada momento as estratégias adequadas, com aulas bem planeadas e atractivas, de forma a não "permitir" maus comportamentos. Em mais de trinta anos de profissão, NUNCA fiz uma participação disciplinar! Nunca achei necessário, nem sei porque deveria passar para os outros responsabilidades exclusivamente minhas. Porque o professor tem de amar os seus alunos, e compreendê-los, e perdoar-lhes, tal como amamos e perdoamos os nossos filhos. Eu sei que a coisa às vezes é complicada, que há comportamentos difíceis de entender, e que há professores sem paciência. Mas...

sexta-feira, abril 27

A CIDADELA BRANCA II

Acabei A cidadela branca. Li o livro em seis horas, nada mau. E se o li em seis horas isso significa que gostei. O tema é simples e poderia resumir-se em “Quem sou eu?”. Não me perguntem porque gostei, eu limito-me a gostar, e o critério estético é exactamente esse, o do gosto. Nesse aspecto, vou na onda do Vergílio Ferreira. Não sei porquê, mas lembrei-me de Borges, esse argentino extraordinário. E é tudo. Ah… para a Margarida, a minha comentadora: quando disse “risquei” queria dizer “sublinhei”. Tenho montanhas de livros sublinhados, são meus e são da minha gente. Tomara eu que o meu mais novo sublinhasse…

quinta-feira, abril 26

A CIDADELA BRANCA

Comecei o Pamuk. Vou na página 70 de A cidadela branca. Risquei a seguinte passagem:

(…) por serem todos “idiotas”, não olhavam para os astros que se moviam por cima das suas cabeças e não reflectiam sobre esses movimentos; por serem idiotas, perguntavam antes de mais nada para o que podia servir o que iam aprender; por serem idiotas, não se preocupavam com pormenores e contentavam-se com resumos (…).

Hmmm… o contexto é diferente, mas isto faz-me lembrar qualquer coisa…

segunda-feira, abril 23

ORHAN PAMUK

Ter alunos estrangeiros tem destas vantagens: nós ensinamos pouco e aprendemos muito. Hoje conversávamos sobre Saramago, sobre as peculiaridades do seu estilo, denso e difícil. Falamos, claro, sobre o prémio Nobel. O Hakan, de barbicha ao queixo, sorriu e perguntou: o professor já leu o Orhan Pamuk? Oh vergonha das vergonhas, disse-lhe que não. Mas é o Nobel 2006, sorriu. Engoli em seco e prometi-lhe que sim, que iria ler tudo do Orhan. E o prometido é devido: vou ler o grande escritor turco. Depois direi qualquer coisa.

quinta-feira, abril 19

FUTEBOLISTAS: OS APOCALÍPTICOS

Pois é, abro os jornais e espanto-me com o esgar guerreiro e os dentes eriçado-amarelos dos nossos jogadores de bola. Um diz que vão lutar até à morte. Coitado. Lá terá de ser… Outro diz que vão lutar até à última gota de sangue. Já viram? Eles a correr e o sangue a pingar, a pingar… Por isso é que eles caem tanto, coitados… O do Benfica é mais epidérmico, vai deixar a pele em campo, acho que já comprou dois quilos de pele artificial… Os do Porto, esses, porque o Norte é mais verde e mais saboroso, até comem a relva. Mas não, estes não são guerreiros, estes parecem ruminar no fim de cada jogo. De momento, a vantagem é dos ruminantes, porque se alimentam bem. Os outros, sem pinga de sangue, já não podem com a bola. Este futebolês…

quarta-feira, abril 18

ALGARVE, FUTEBOL, HINOS E CRIANÇAS

No Algarve, houve um Torneio de miúdos, vieram de todo o lado, também da nossa vizinha Espanha. Quando tocou o hino espanhol, a equipa do Barcelona não compareceu. Deve haver alguma explicação para o facto, mas em Espanha caiu o Carmo e a Trindade. Segundo a “Marca” de hoje, Laporta respeita o veto do hino espanhol: “Yo no voy a alimentar estas cuestiones. Se retroalimentan solas. Respeto todo lo que han hecho los representantes del club en esta cuestión y en todas porque toman las decisiones que creen que tienen que tomar. Y pido respeto también”. Claro, o respeito é muito bonito. Mas los niños... Devíamos proibir os hinos? Se calhar, como neste caso, as crianças agradeciam. Porque isto de "Às armas, às armas..." cheira ligeiramente a vivaz arcaísmo. Ou estou a exagerar?

segunda-feira, abril 16


O NOME DAS FLORES
Hoje a Bela deu-me uma lição toda floral. Eu já sabia que nomear a natureza requer imensa sabedoria, há tantas árvores, tantas flores, que até me sinto envergonhado por desconhecê-las. Quer dizer, eu sei o que é uma tília, tenho-a mesmo em frente do nariz, dá muita sombra nos dias de canícula; também sei o que é um castanheiro, como dele as castanhas, a minha mobília é de castanho, podia ser de vinhático, mas não é. E até sei mais alguns nomes, mas perante elas, quando as vejo e quero identificá-las, saltam-me as meninges, sou analfabeto, alguém falhou na formação e fui com certeza eu. A Bela, pois, falou-me da arruda. Eu conhecia o nome, mas nunca a vira. Que cheira mal, diz ela. Eu não achei. Tem um cheiro forte, mas não desagradável. Que espanta o mau-olhado. E parece ser verdade, pelo menos os antigos já lhe atribuíam esse condão. Outros querem-na afrodisíaca. Eles lá sabem. Mas quando me falou nos olhos-de-freira, nos pica-narizes ou nas cristas-de-galo, juro que descambei. Eu de flores sei as rosas e os cravos, os contáveis mal-me-queres e, em excepcional extremo, os brincos-de-princesa ou as alegria-no-lar, todas elas flores bem jardináticas e nada dadas a grandes interiores. O que eu não esperava da Belita era um não-te-metas-na-minha-vida. Olhei bem de soslaio para os seus ondulantes cabelos, franzi-lhe uma bochecha, e só ao fim de sorumbáticos segundos percebi que designava uma ervita qualquer. E eu na minha ignorância: isso são designações bem regionais, na minha terra nunca ouvi falar disso. A minha terra, ali ao lado, uma centena de metros, duas centenas talvez…

domingo, abril 8

QUE NOSSA SENHORA NOS PERDOE !

Fiquei curioso. Não-te-metas-na-minha-vida é longa e curiosa designação para planta ou flor, e prova esta relação quase indissolúvel entre as nossas emoções e a natureza que as pressente. Na minha busca de outros nomes curiosos, de plantas ou flores, encontrei o choramingas não-me-deixes. Lembrei-me imediatamente daqueles versos do Gonçalves Dias, que dizem assim:

Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava...
"Ai, não me deixes, não!"

Onde terá o miosótis ganho cidadania como não-me-deixes? Na pena do poeta? Ou terá o poeta jogado este jogo entre a coisa e a sua denominação popular? Porque o povo tem-nas boas, ora é o não-me-deixes, ora o não-me-esqueças, ora ainda o não-me-toques, ora, no limite, o não-te-esqueças-de-mim. Claro que foi o povo, não o erudito, que nomeou as flores. A flor é de Abril ou é de Maio, é de esperança, é de amor ou de paixão. A de lis é também a da verdade. A flor-da-noite traz consigo uma alvorada. A viuvinha, essa, é a flor-de-viúva sorrindo à nova vida. Mas a melhor, a que me deixa mesmo derretido pela abrangência da significação é, sem a mínima dúvida, a flor-de-babado-de-nossa-senhora. Que a Senhora compreenda, e nos perdoe todos os pecados, inclusive o da nomeação.

quarta-feira, abril 4

A INVERDADE

Soa tão mal, não soa? A verdade, porém, é que a verdade anda de tal forma aos trambolhões que já nem tolera a mentira. Porque mentir é, segundo o dicionarista, uma acção bruta. E não convém ser-se bruto quando assim se mente. Nós ouvimos os políticos e eles nunca mentem. Quando muito, dizem algumas inverdades. E pronto, ficam de alma lavada. Se a língua é bela, este neologismo é feio. Atiremo-lo, Lídia, à força do rio.

quinta-feira, março 22

POLVILHAR COM POLVO?

A aluna esbugalhou os olhos, muito admirada. Era espanhola, e eu compreendi imediatamente o motivo da sua reacção. Porque polvilho não é, evidentemente, o filhote do polvo, esse molusco cefalópede ventoso que nos guarnece o prato em dias especiais. E eu expliquei-lhe que polvilhar não significa salpicar com polvo, porque em português não há relação evidente entre estas duas palavras. E, finalmente, lá compreendeu. Porque se, na nossa língua, a coisa já é complicada de entender, muito mais será quando, em espanhol, polvo significa pó. E aí sim, polvilhar tem, nas duas línguas, o mesmo significado. Estes amigos são mesmo muito falsos e é preciso ter muito cuidado com eles, olá se é…

quarta-feira, março 21


TO SLEEP

O soft embalmer of the still midnight,
Shutting, with careful fingers and benign,
Our gloom-pleas'd eyes, embower'd from the light,
Enshaded in forgetfulness divine:
O soothest Sleep! if so it please thee, close
In midst of this thine hymn my willing eyes,
Or wait the "Amen," ere thy poppy throws
Around my bed its lulling charities.
Then save me, or the passed day will shine
Upon my pillow, breeding many woes,--
Save me from curious Conscience, that still lords
Its strength for darkness, burrowing like a mole;
Turn the key deftly in the oiled wards,
And seal the hushed Casket of my Soul.

John Keats

domingo, março 18

LÁBIO LEPORINO

Lábio laparino, explicava o Tone, imponente na sua sabedoria. Porque, se a lógica não era uma batata, vinha de láparo, filho do elegante laparoto. E com efeito, a origem do dito cujo é assim para o obscuro, e parece ser verdade: lábio laparino seria então aquela anomalia congénita, aquela fissura no lábio com que nascem alguns seres humanos, e que lembra a fissura do láparo, que é sem dúvida o coelho. O problema é que não, não vem de láparo, mas de leporinus, relativo a lebre. A diferença é subtil, mas justifica a grafia leporino. Leporino é, portanto, relativo a lebre, e não a láparo (coelho). Escreva-se, pois, lábio leporino.

sábado, março 17

CEREJEIRAS EM FLOR


Esta fotografia é de Jacqueline CAMUS, tirada no jardim de Yonne, Véron, em França. Por vezes delicio-me com fotografias da natureza, a maioria lindíssimas, autênticas obras-primas de grandes profissionais. Esta captou-me a atenção pelo nome da artista: CAMUS. Se o existencialismo percorreu a literatura, eis como o nome CAMUS revigora na própria natureza: nós existimos nela e ela sorri-nos em cores inesquecíveis. Olhemo-la.

quarta-feira, março 14

DA INTERROGAÇÃO À AFIRMAÇÃO

A propósito da guerra no Iraque, diz o sueco Hans Blix, ex-inspector-chefe de armas das Nações Unidas, que Bush e Blair puseram pontos de exclamação em vez de pontos de interrogação, onde estavam perguntas, eles mudaram-nas para afirmações. Se o sueco o diz, é porque é verdade. E as consequências estão a ser terríveis. Quem diz que os sinais de pontuação não são importantes? Mudar de uma interrogação para um singelo ponto final equivale a uma guerra sangrenta e desnecessária. Como é possível que políticos “responsáveis” ajam desta forma despudorada sem receberem o merecido castigo? Blair vai embora nas calmas faiscando pepsodente. Bush passeia hipocrisias pela América latina. No entretanto, sofre-se no Iraque. Y no pasa nada…

domingo, março 11

LUCROS FABULOSOS

Segundo o jornal SOL, os 5 maiores grupos portugueses (EDP, PT, BCP, GALP e CGD) ganharam 4 mil milhões de euros em 2006, isto num ano de crise e de forte desemprego. A electricidade, os telefones, a gasolina , os bancos. Quatro mil milhões de euros que saíram do bolso dos portugueses e que, desta forma paulatina, vão ficando mirradinhos até ao tutano. Este país é realmente nosso? Sorriso do estrangeiro.

quinta-feira, março 1

PAY AS YOU THROW

Segundo O DN de hoje, “os cidadãos que fazem mais lixo poderão vir a pagar mais. O Governo está a estudar a implementação de uma tarifa do lixo cobrada consoante a quantidade de resíduos produzidos. O conceito pay as you throw (pague consoante o que deita) pretende tornar mais justo o custo do tratamento dos resíduos, penalizando quem tem menor consciência ambiental. Na prática, poderá significar cobrar um preço consoante o peso ou o volume do saco do lixo”. Estou mesmo a imaginar a cena: adeus Sameiro, adeus Bom-Jesus, adeus Gerês… Porque, está claramente visto, se o português tiver de pagar ao quilo o lixo que produz, vai despejá-lo direitinho nas faldas das serras ou das montanhas. E lá se vai a nossa linda paisagem. Eu acho é que esta gente não conhece o chico português…

domingo, fevereiro 25

SÊ PACIENTE

Sê paciente;
espera que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade

sábado, fevereiro 24

O LINGUISTA E A FIXAÇÃO DA NORMA

Diz Ivo Castro:

Não é o escritor, mas o gramático normativo quem fixa a norma; o escritor é o pretexto.

Se a norma fosse fixada por linguistas, e não por gramáticos, seria certamente mais respeitadora dos fenómenos de variação e dos actos de fala reais e verificáveis.

(...)

Contava Celso Cunha que Augusto Abelaira, incerto quanto a uma construção sintáctica infelizmente não identificada, pegou na Gramática do Português Contemporâneo para verificar se ela estava atestada; estava, mas atestada por uma citação do próprio Abelaira, que me confirmou a anedota.

Pois é, neste jogo do empurra, cá nos vamos entendendo...

Se quer aprofundar o tema, leia o texto completo AQUI.

quinta-feira, fevereiro 22

DICIONÁRIO DE GENTÍLICOS E TOPÓNIMOS

O ILTEC, Instituto de Linguística Teórica e Computacional, tem disponível o MORDEBE (Base de Dados Morfológica do Português) e um DICIONÁRIO DE GENTÍLICOS E TOPÓNIMOS. Segundo o portal, "os habitantes de Portugal chamam-se portugueses, a música do Brasil é brasileira. Mas como designar os objectos e as pessoas de Macau, do Rio de Janeiro ou da Lituânia? Quando designamos o país, a região, a província, a localidade em que alguém nasceu ou de onde alguém ou alguma coisa procede estamos a utilizar um gentílico.

Existem várias formas possíveis para criar gentílicos, as mais comuns são as formadas por sufixos como -ês (em português), -ense (em macaense) e -ano (americano).

A formação dos gentílicos nem sempre consiste na junção de um prefixo à base do topónimo, este é um processo mais complexo, por exemplo, o gentílico de Castelo Branco é albicastrense e não *castelo-branquês, *castelo-branquense ou *castelo-brancano.

O Portal da Língua Portuguesa disponibiliza uma lista onde poderá consultar os diversos topónimos e respectivos gentílicos ordenados alfabeticamente, a pesquisa pode ser feita clicando:

na letra inicial do gentílico;
no nome do país;
no nome de distrito (para Portugal) e estado (para Brasil);
no nome do local (país, território)."
É um portal inovador, a ter nos favoritos.
SENTADOS NO CHÃO

De acordo com a imprensa de hoje, os 106 alunos da escola básica de Sernancelhe que foi demolida na segunda-feira retomaram hoje as aulas, após as férias de Carnaval, na Casa da Criança desta vila do Norte do distrito de Viseu, mas tiveram de se sentar no chão, devido à falta de equipamento escolar.
Comentários para quê?

terça-feira, fevereiro 20

ADAMASTOR: O BELO E O HORRENDO

Adamastor é gigante mitológico, feio e apaixonado, desprezado pela nereide Thétis. Segundo o mito, percorreu terras e mares na busca da compreensão. Conhecedor profundo da mitologia grega e latina, Camões pegou no gigante e pô-lo no mar. Quando li, pela primeira vez, o episódio do gigante, chocou-me o contraste estabelecido entre a forma, horrenda, e a expressão emotiva do gigante, profunda e bela.

A descrição inicial é de um horrendo sublime:

Não acabava, quando ua figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.

A exposição emocional do gigante – um choro medonho - é, também ela, de uma beleza inigualável.

Já néscio, já da guerra desistindo,
Uma noite, de Dóris prometida,
Me aparece de longe o gesto lindo
Da branca Tétis, única, despida.
Como doudo corri de longe, abrindo
Os braços para aquela que era vida
Deste corpo, e começo os olhos belos
A lhe beijar, as faces e os cabelos.
…
Assim contava; e, c'um medonho choro,
Súbito d'ante nossos olhos se apartou.

Foi este contraste entre o horrendo e o belo, um exterior, outro interior, mas pertença do mesmo ser, que me levou a devorar Os Lusíadas e a relê-lo sempre com acrescido entusiasmo.

Camões é um enormíssimo poeta. Leiam-no, por favor!

segunda-feira, fevereiro 19

GISANDRA

Procura-se a palavra, o seu significado. Em Finisterra, de Carlos de Oliveira, é planta de seiva leitosa, purificadora. Se a ideia existe e a palavra não, inventa-se a palavra. Releio cinquenta e uma vezes esta obra-prima e fico na paisagem. Talvez em breve a sinta preencher com seres imaginados, os aranhiços, as areias enormes, os bois em movimento. O povoamento. Talvez eu sinta a transfiguração final e compreenda a mensagem. Ansiosamente aguardo. Entretanto, ofereço aos leitores a ligação. Francesa, mas muito interessante. Aproveitem a lekti-ecriture.

domingo, fevereiro 18

O AL BERTO

Gosto do Al Berto. O Al Berto conheceu um homem que possuía uma cabeça de vidro. Ah, para quem não saiba, o Al Berto é um poeta que pergunta se a palavra laranja existirá sem a laranja. Com ele o sol cospe flores que provocam o sono e o esquecimento. Quando o leio, vou com ele ver as pirâmides fantásticas do vento. Por isso vou com ele muitas vezes, olhando as pétalas de luz que nos percorrem as mãos. Descubram o Al Berto, que a sua luz ilumina.

sábado, fevereiro 17

HORRíVEL

A ex-mulher de Eminem diz que ele é uma pessoa horrível, segundo o Globo Online. Este adjectivo é realmente muito forte, não conheço pior para definir uma pessoa. Claro que a relação dos famosos é feita destas coisas, raramente há equilíbrios, o companheiro ou é maravilhoso ou é horrível. Pois é: quem se mete com o belo, também se arrisca a meter-se com o monstro. O problema é que belo e monstro nadam em dinheiro. E quanto a isso, rien à faire.

sexta-feira, fevereiro 16


SABEDORIA

Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando Deus quiser.

Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.
Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser.

Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.

José Régio

quinta-feira, fevereiro 15

AS DEMASIAS

Francisco Manuel de Melo, Carta de Guia de Casados

De todas as grandes personalidades da literatura portuguesa, D. Francisco Manuel de Melo é, para mim, a mais extraordinária. Quando li, pela primeira vez, a Carta de Guia de Casados, fiquei absolutamente deslumbrado com a visão que o escritor tinha da mulher portuguesa. Claro que lida à distância de tantos anos, com a transformação cultural entretanto acontecida, a Carta nos força o sorriso. Mas que nos informa acerca do relacionamento marital da época, inflexivelmente patriarcal, isso é uma evidência. Leiamo-lo:

Dizia um nosso cortesão, havia três castas de casamento no mundo: casamento de Deus, casamento do diabo, casamento de morte. De Deus, o do mancebo com a moça. Do diabo, o da velha com o mancebo. Da morte, o da moça com o velho.


Ele certo tinha razão porque os casados moços podem viver com alegria; as velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia; os velhos casados com moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias.

Visto à lupa dos dias de hoje, com tantos tratamentos e publicidade à disfunção eréctil ou ao Viagra, o casamento do diabo ou da morte transformaram-se no casamento de Deus. Abençoadas demasias que nos alegram os dias e nos rejuvenescem as noites de lua cheia. Quanto às desconfianças, desconfio que já não sejam o que eram. E ainda bem. Porque, velho rabugento encanecido, quem te manda ser feliz aos olhos da juventude fria?

quarta-feira, fevereiro 14

O CUNHA

O senhor Cunha tem o gabinete à cunha por causa das cunhas. Coitado do homem! Denominaram-no assim, que há-de fazer? Coitado dele e coitadas das palavras, que não têm culpa nenhuma das nevralgias humanas. Pensando bem: se meto uma cunha para firmar dois objectos, que abjectos cunham os que, de havano em riste, fumegam no gabinete à cunha? Quem souber responder que responda.

segunda-feira, fevereiro 12

O ASSALTO À VIDA PRIVADA
Hoje fui à Caixa Geral de Depósitos tratar de uns assuntos. Para mal dos meus pecados, sou lá cliente… Para completar “um” assunto, eu achava que era suficiente o bilhete de identidade, o número de contribuinte, a morada e, vá lá, o número de telefone. Tudo isso eles já lá tinham, portanto, nada a entregar. Mas que não! E que não! E deram-me então uma grande ficha, com perguntas totais sobre a minha vida, e da minha mulher, e se tinha carros, e se tinha casas, e há quantos anos trabalho e, imagine-se a imbecilidade, até lá perguntam o estado civil da minha própria mulher! Espumei. Nego-me a dar-me ao desbarato, ninguém tem o direito de saber pormenores de vida que só a mim dizem respeito. E disse que não. E não é que não me deixam tratar do tal assunto? Aiiii…. Apetece-me ferrar os dedos e ir às fuças a alguém. Na semana passada passou-se algo semelhante na escola do meu mais novo. Também me apresentaram uma ficha para preencher, queriam muitos dados, só não me lembro se queriam, ou não, a cor das minhas cuecas. Mas por que carga de água quer a escola do meu filho saber se tenho carro, ou se a casa é minha, ou…? Este assalto violento à nossa vida privada é absolutamente aterrador e inaceitável. Nos dois casos, neguei-me a dar as informações pedidas. Não tenho que as dar e pronto! Mas a lei permite este comportamento dos bancos e das escolas? Que seja do meu conhecimento, o aluno concretiza a sua matrícula numa escola e escreve no BOLETIM as informações legais que o Ministério da Educação acha por bem exigir. Tudo o que ultrapasse tais informações é absolutamente abusivo. O mesmo com os bancos. Irra que é demais!!!!

sábado, fevereiro 10

TRES COSAS HAY EN LA VIDA...

Li há tempos Thoughts in a Dry Season, de G. Brenan. Enquanto lia, lembrei-me daquela famosa canção, creio que espanhola, que diz tres cosas hay en la vida, salud, diñero y amor… Por acaso, uma canção muito bonita, pois transmite uma mensagem positiva a todo o ser humano. E dei por mim a pensar: o que é realmente importante na vida? O amor, claro, é muito importante. Mas há pessoas que vivem solitárias, algumas por opção, e não o consideram assim tão necessário. O dinheiro, claro, também é muito importante. Mas há tanta gente no mundo sem dinheiro… A saúde, evidentemente, é muito importante. Mas, podemos comprar a saúde? Diz Brenan que os que põem o amor em primeiro lugar o fazem porque têm a barriga cheia. Se tivessem a barriga vazia todos os dias, escolheriam o dinheiro. Se a saúde e o dinheiro são privilégios de ricos, que lugar ocupará o amor? Será, dos ricos, o supino privilégio? Que acham?

quarta-feira, fevereiro 7

UM PASSEIO NO MONEYMUSEUM

Pois lá vou passeando pelos museus virtuais, a lavar-me de ouro, e ouro bem português... No Catálogo de Moedas do MoneyMuseum vi lá estas duas meninas, o morabitino de D. Sancho I (1185, presumivelmente cunhado em Braga), na posse do Deutsche Bundesbank;

e este solidus, uma imitação de Theodosius II (império visigótico, ano de 456), também presumivelmente cunhada em Braga, e na posse da Sunflower Foundation.



Fiquei ceguinho para quinze dias. Acho que só vou poder apreciá-las de novo daqui a um mês, depois de esfregar os olhos com pozinhos de alecrim... Mas já que eu não posso, ceguem também!
SAPATILHA

Numa página concorrente, alguém pergunta sobre a origem da palavra sapatilha. Porque hoje, em tempos de muito exercício físico, todos os atletas usam sapatilhas, umas mais frágeis e flexíveis, outras com mais substância elástica, próprias para os basquetebóis. Ora, a sapatilha mais não é do que a sapata a que acresce o sufixo –ilha. Sapata devém, logicamente, de sapato, e, para além de outros significados que o uso consagrou, significa calçado largo e grosseiro, sem tacão ou de tacão raso, uma espécie de chinela. Já o sapato tem, em geral, sola de couro ou de borracha e é o objecto que cobre o pé. Originariamente, a sapatilha era muito leve e flexível, por vezes de biqueira reforçada ( os bailarinos precisavam disso); hoje, há por aí sapatilhas que pesam quilos . De modo que em vez de sapatilhas parecem sapatões. Ah, convém dizer que sapata vem do turco zapata. E pronto, eis aqui um bom motivo para escancararmos as portas aos nossos amigos otomanos: se nos deram a zapata, porque não a sapatada?

segunda-feira, fevereiro 5

SPLEEN

Je suis comme le roi d'un pays pluvieux
Riche, mais impuissant, jeune et pourtant très-vieux,
Qui, de ses précepteurs méprisant les courbettes,
S'ennuie avec ses chiens comme avec d'autres bêtes.
Rien ne peut l'égayer, ni gibier, ni faucon,
Ni son peuple mourant en face du balcon.
Du bouffon favori la grotesque ballade
Ne distrait plus le front de ce cruel malade;
Son lit fleurdelisé se transforme en tombeau,
Et les dames d'atour, pour qui tout prince est beau,
Ne savent plus trouver d'impudique toilette
Pour tirer un souris de ce jeune squelette.
Le savant qui lui fait de l'or n'a jamais pu
De son être extirper l'élément corrompu,
Et dans ces bains de sang qui des Romains nous viennent,
Et dont sur leurs vieux jours les puissants se souviennent,
Il n'a su réchauffer ce cadavre hébété
Où coule au lieu de sang l'eau verte du Léthé.

Charles Baudelaire

quarta-feira, janeiro 31

TENHO ÊXITO, PORTANTO, SOU FELIZ!

Num livro conhecido e muito interessante, A conquista da felicidade, diz a dado passo o grande filósofo Bertrand Russel:

A raiz do mal reside no facto de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte da felicidade. Não nego que o sentimento do triunfo torna a vida mais agradável. Um pintor, por exemplo, que viveu obscuramente na juventude, decerto se sentirá feliz se o seu talento acabar por ser reconhecido. Não nego também que o dinheiro, até um certo limite, é capaz de aumentar a felicidade; para lá desse limite, julgo que não. O que eu afirmo é que o êxito só pode ser um dos vários elementos da felicidade e que é demasiado o preço pelo qual se obtém se a ele se sacrificam todos os outros.

Há dias, a televisão portuguesa mostrou uma entrevista de uma senhora que decidira parar. Dizia a inteligente senhora que, depois de fazer contas, achava desnecessário procurar o êxito debaixo do agoniante stresse, e que conseguiria viver bem e ser feliz com a quarta parte do que recebia mensalmente. Para quê viver um dia-a-dia agoniante se podia, pura e simplesmente, apreciar a beleza da vida, o chilrear vibrante dos pássaros, o pôr-do-sol raiado, os sorrisos das crianças nos parques… E decidira, portanto, antecipar o fim da sua carreira em nome da sua felicidade. Ambos, Russel e a senhora, têm razão. O dinheiro, até um certo limite, ajuda a ser-se feliz. A partir daí, estou certo de que só traz infelicidade. Estou como aquela senhora. Um dia destes decido-me por viver, porque até hoje só sobrevivi. Porque, para olhar o sol ou ouvir os pássaros, não é necessário pagar bilhete. E a água das nascentes é de graça…

quarta-feira, janeiro 17

O ESPÍRITO E A ALMA

A Cláudia hoje levou um texto do Eugène Delacroix. Falava do espírito e da alma como coisas distintas no ser humano. Que, portanto, temos corpo, e espírito, e ainda alma. Nunca tinha pensado nesta tríade; aliás, nas minhas divagações mais ou menos filosóficas, a mente sobreleva o corpo, e há muito que coloquei na estante essa diferença consubstanciada em palavras tão irreais, tão indefiníveis, como espírito ou alma.Lembro-me do Óscar Wilde problematizar a órbita da alma: nunca o entendi muito bem.Lembro-me também do Lars Gustaffson e da sua alma esférica: também não percebi niente. Aceitando, no entanto, que o riso é, como diria Dostoievski, o melhor indicador de um certo estado de alma ( outros dirão estado de espírito), então vamos rindo, ou antes, sorrindo das palavras e mergulhando nelas.
Para tirar dúvidas, vou ao dicionário. Todavia, também tu Catilina, apenas me diz, entre milhões de explicações, que a alma é a parte imaterial do homem, o que também é o espírito.Se sou fraco de espírito, sou fraco de alma? O meu estado de espírito actual é diferente do meu estado de alma? Ter grandeza de espírito é ter grandeza de alma? Delacroix deve ter razão, o espírito projecta-se da mente, a alma do coração. Ou é ao contrário? O que sei é que estou de alma e coração com a minha gente, como se o coração fosse apenas corpo, a parte material, a parte não simbólica da coisa. Deve ser por isso que o sinto pingue-pingue, rotinho de todo, quando me dói a alma. Porque o espírito, esse, parece-me já de grande contradição. Eu sou um paz de alma e a minha alma anda muito errante... Mas obrigado, Cláudia, por me obrigares a pensar.

quinta-feira, janeiro 11

ACTUALIZAÇÃO DA PÁGINA DINHEIRO

Informo os eventuais interessados que a página DINHEIRO, em link no lado esquerdo desta página, está a ser actualizada. Encontram-se activos os reis Fernando I, Pedro I, Afonso IV, D. Dinis, D. Afonso III, D. Sancho II, D. Afonso II, D. SANCHO I e D. AFONSO I, isto é, toda a primeira dinastia.
Algumas imagens ou classificações podem, neste momento, estar trocadas ou com erros. Peço desculpa por esse facto.
Observações, comentários ou correcções podem ser feitas na dita página ou no Fórum de Numismática.

quinta-feira, janeiro 4

AINDA HÁ DISTO...

Notícia de um jornal brasileiro:

Mulher distribui dinheiro em ônibus na véspera de Natal.

Uma mulher subiu em ônibus, cumprimentou os passageiros com "Feliz Natal" e entregou a cada um dele um cartão e uma nota de US$ 50 antes de sair e fazer o mesmo no ônibus seguinte em Spokane, Estado de Washington, nos Estados Unidos.
A acção da mulher foi tão rápida que as descrições sobre a benfeitora são divergentes. "Ela manteve sua cabeça baixa. Nunca a vi antes", disse o motorista Max Clemons. "Havia um jovem no fundo do ônibus. Ele estava quase chorando e disse que 'ela não sabe o quanto isso vai significar no Natal' em inglês com sotaque forte."
Dan Kolberto, porta-voz do sistema de trânsito da cidade, disse que não foi possível identificar a mulher e parece que o acto não faz parte de uma campanha de marketing.
A mulher distribuiu envelopes que diziam "de um amigo a um amigo". "A pessoas naquela linha realmente precisavam do dinheiro", disse o motorista.

Como diria Sttau Monteiro, felizmente há luar.

sexta-feira, dezembro 29

ACENTUAÇÃO DE SARRO

Na página do jornal O Público, em http://www.publico.pt/, tópico Dúvidas Linguísticas, pergunta uma consulente: "quero saber se a palavra sarro é oxítona ou paroxítona".
A pergunta não tem nada de ofensivo, aliás, como dizia o outro, perguntar não ofende. Se pensarmos um pouco, há bastantes palavras parecidas com sarro: barro, carro, jarro, entre outras. Não tendo nada de ofensivo, a pergunta fere pela sua ingenuidade. Qual é a dúvida em palavras como estas? Quem não sabe que estas palavras, de uso tão banal, não levam acento gráfico? Haverá alguém que ponha sequer a hipótese de pronunciar barró, carró ou jarró, o que atribuiria a tais palavras o carácter de oxítonas? Perplexidades desta natureza vão-nos informando muito sobre o estado actual do conhecimento linguístico português. Que não é lá muito famoso, como todos bem sabemos...

domingo, dezembro 24


FELIZ NATAL, ou A INVASÃO DO PAI...

Ils sont partout. En affiche, en chocolat, en peluche et en latex, en vrai aussi… Impossible de leurs échapper. Visage barbu, joufflu, rougeaud et un large sourire qui serait presque menaçant. On savait que le Père Noël avait le don d’ubiquité, mais là c’est vraiment trop. Celui qui imaginait que l’exil chinois le protègerai de Noël, se trompe terriblement. Cette fête est sans doute une de nos exportations culturelles les plus efficacement implantées en Chine. Elle a perdu au passage tout caractère religieux – mais n’est-ce pas le cas également en occident ?- et est réduite à deux symboles : le père, le sapin et ses boules. Oui, une invasion de Pères Noël. Le pire est sans doute ces armées de serveuses, serveurs, vendeurs et autres hotesses qu’on oblige pendant tout le mois de décembre à arborer le bonnet rouge à pompon blanc. A les voir, devenus clowns tristes à la fin d’une journée de labeur, on aimerait avoir gardé Noël pour nous.


In Chine.blog.lemonde.fr

quinta-feira, dezembro 21

Informação sobre a página DINHEIROS

Boa noite a todos. Não sei se têm acompanhado a construção da página DINHEIROS (link nesta página, à esquerda), mas informo que penso ter esquematizado a sua parte teórica. Digo "esquematizado" porque este esquema será naturalmente preenchido com todas as observações pertinentes e cientificamente válidas que achem oportuno fazer. A página está organizada de modo a permitir a interacção, com perguntas, comentários, análises, etc. Qualquer texto, ou ligação pertinente, serão postos em destaque após autorização do autor. Uma BASE DE DADOS será construída a partir deste momento. Como podem verificar na página DINHEIRO, criei uma página para cada rei. Numa primeira fase, vou analisar todos os dinheiros de D. Fernando que possuo e organizá-los no sítio respectivo. Podem confirmar a estrutura da análise clicando em D. Pedro I. Lá encontram um exemplo do que será feito. Numa segunda fase, incluir-se-ão na página, tal como acontece na página CEITIS do Luís Nóbrega, todos os exemplares analisados. Mais tarde, e se houver colecções definidas, estas poderão ser organizadas individualmente. Agradeço feed-back, para sentir se a coisa está a ser bem feita. Obrigado a todos.

quarta-feira, dezembro 20

ESTES ÁRBITROS...

Vi o Sporting de Braga contra o Boavista. E eu, que sou de espírito aberto e compreensivo, fiquei de boca aberta. Por um lado, com a forma como o árbitro dirigiu a partida, em prejuízo claríssimo do Braga; por outro, com a decisão vergonhosa que consistiu em castigar o João Pinto com dois jogos de suspensão. Então o rapaz leva o primeiro amarelo por tocar na bola com a mão? Viu-se que quem tocou na bola foi o jogador do Boavista. Depois, leva outro amarelo por ter sido rasteirado? Inacreditável! E ainda apanha dois jogos de castigo? Que cartão deveria ser mostrado a este árbitro que tão mal se comportou? Cada vez mais acredito que esta gente da bola vive em Marte, que são uns marcianos, e que têm focos de visão, de ética e de moral diferentes dos do comum ser humano. Como diria o Luisinho, what a cambada!

sexta-feira, dezembro 15

DINHEIRO
No seguimento da página CEITIS, organizada pelo Luís Nóbrega, e porque pretendo catalogar rigorosamente os dinheiros que possuo, tenho a intenção de criar uma página, anexa ao metakrítico, sobre a unidade monetária DINHEIRO, desde Afonso Henriques até D. Fernando. Para concretizar tal intenção, vou precisar da colaboração, inestimável, como sempre, dos meus amigos numismatas. Para que todos possam aceder à organização da página, comentar, corrigir ou acrescentar informação, a via privilegiada será o Fórum de Numismática. Agradeço desde já toda a colaboração que me possam dar, nomeadamente em informação bibliográfica sobre DINHEIROS. A página terá, grosso modo, a seguinte estrutura:
1 . O dinheiro: artigo introdutório

2. Explicitação das tipologias.

2. Tipologia do dinheiro: de Afonso I a Afonso II

3. Tipologia do dinheiro: de Afonso III a D. Fernando
a) Cruz
b) Escudetes
c) Legendas
d) Diferentes
e) Metrologia
e1) Peso e Lei
e2) Módulo

3. Considerações gerais

4. A classificação será feita prioritariamente pelas variantes da morfologia e pela disposição dos elementos que cantonam a cruz. São conhecidas de momento 40 variantes. Há a possibilidade de encontrarmos outras.

O quadro organizativo contemplará ( aproveita-se o quadro de Maria Ferro: Catálogo, 1978):
0 – Foto da moeda: anverso e reverso
A – Nº da espécie catalogada
B – Cronologia
C – Classificação
D – Metal
E – Peso (grs)
F – Módulo (mm)
G – Valor nominal
H – Legenda:
H1 – Anverso
H2 – Reverso
I – Tipo:
I1 – Anverso
I2 – Reverso
J – Eixo
L – Casa da Moeda
M – Processo de amoedação
N – Estado de conservação
O – Observações pertinentes

É evidente que este trabalho vai demorar e dependerá da minha disponibilidade de tempo.
Obrigado a todos.

quinta-feira, dezembro 14

Moeda da época de Afonso II foi vendida por 150 mil euros

De acordo com o DN, um morabitino da época de Afonso II foi vendido por 150 mil euros. Nada mal, em tempo de crise. Outras moedas e notas atingiram valores altíssimos, o que prova a pujança deste tipo de coleccionismo. Fazendo bem as contas aos valores alcançados, o investimento em moeda ultrapassa largamente qualquer outro tipo de investimento e com menor risco. Além disso, o prazer de olhar uma moedinha do tempo dos nossos avós é inultrapassável. E se a moeda for de Afonso Henriques, tanto melhor. Mas as de Afonso Henriques são raras, muito raras...

quarta-feira, dezembro 13

O PUTO E A FACA
Não mede mais de metro e meio. É pequenino, cabelo encaracolado, olhos de raposa atenta. Passou por nós de pasta às costas, sorriu para o meu filho. Achei-o engraçado, na sua pose frágil. Sabes quem é, perguntou o meu filho. É neto de fulana, que mora ali ao lado. Ah, conheço. Sabes a melhor dele? E diz-me que o puto tinha levado uma faca para a escola. Uma faca, estarreci. Uma faca? Para a escola? Porquê? E lá me explicou. Que andavam lá uns patifórios a roubar-lhe o lanche todos os dias, a humilhá-lo. Fizera queixa aos professores, ao Conselho Directivo, e ninguém lhe ligara. Então, forte, decidiu levar uma faca. Mostrou-a, decidido, aos patifórios. Nunca mais lhe roubaram nada.

segunda-feira, dezembro 11

GOVERNO CRIA EMPRESA PARA GERIR FUNÇÃO PÚBLICA

No nosso país é assim: a Administração Central não sabe gerir os dinheiros dos contribuintes, o Fisco deixa prescrever milhares de processos, alguns chicos muito espertos aproveitam e vivem à custa do pagode. E vai daí, cria-se uma empresa para gerir o que não foi gerido. Já se sabe qual vai ser o resultado: daqui a uns tempos, cria-se uma empresa para gerir a empresa que agora vai gerir. E assim sucessivamente. Ah... li hoje que o gás que pagamos é dos mais caros da Europa. Eu já sabia, sai-me do bolso todos os meses.

quarta-feira, dezembro 6


PASSOU O OUTONO...

Passou o Outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido Inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.

Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?

Camilo Pessanha, Clepsidra

segunda-feira, dezembro 4

NINGUÉM RESPEITA OS PROFESSORES

Joaquim Azevedo, coordenador do Debate Nacional de Educação, diz, no Público de hoje, que "ninguém respeita os professores, só damos deles e das escolas uma imagem negativa. Assim não se cria uma dinâmica de confiança". E é verdade! Infelizmente, na tentativa de se justificarem politicamente determinadas decisões, transmite-se para a opinião pública a ideia de que todos os males da educação são da responsabilidade dos professores. E isso, evidentemente, não é verdade. Hoje, ninguém respeita os professores. E, a curto, médio e longo prazo, vamos pagar por isso. Eu diria mais: as consequências do desprestígio da classe docente vão ser terríveis para o país. Mas quem se importa com isso? A tecnocracia acorda com cifrões nos olhos e adormece a recontá-los...

quinta-feira, novembro 30

HÁ 227143 PORTUGUESES À ESPERA DE CIRURGIA

Sempre que leio estatísticas "portuguesas" fico aterrado. Partindo do princípio de que a natalidade se encaminha para perto do zero, qualquer dia Portugal não tem população. Pelo menos, é o que dizem as estatísticas. Nas estradas, morrem todos os anos milhares. Por causa do tabaco, aí outros milhares vão de vela brevemente. O álcool, esse maldito, também mata de enxurrada. As doenças crónicas são em Portugal um mal terrível. Não admira que estejam à espera de cirurgia 227.143 portugueses. Leram bem: 227.143! Dado que os hospitais estão a fechar, dado que os médicos estão a reduzir, dado que o bago para os intrumentos está em cataplasma, não nos admiremos que, dentro de pouco tempo, estejamos todos à espera de cirurgia.
*** Pensando bem, talvez esta seja a fórmula ideal para equilibrar as finanças. Ora cogitem!...

terça-feira, novembro 28

FLEXI-QUÊ?

O "Diário Económico" noticia hoje que o Governo pretende adoptar em Portugal o modelo da chamada flexi-segurança — que facilita despedimentos, flexibiliza horários de trabalho e reforça a protecção social. Em Portugal, qualquer modelo facilita despedimentos ou flexibiliza horários. Neste momento, que dificuldade há em despedir? É só carregar no botãozinho da inteligência e pimba. Flexibilizar horários? O nosso país é tão flexível, tão flexível, que só por isso ainda não partiu. Quanto ao reforço da protecção social, só podem estar a gozar com o pagode.

segunda-feira, novembro 27

SEM COMENTÁRIOS

Universidades públicas sem dinheiro para pagar subsídio de Natal. E "prontos"...

sábado, novembro 25

QUANDO PROMETER É FAZER...

Há um livro muito interessante, de Oswald Ducrot, com o título Quand dire c’est faire. Quando dizer é fazer. Lembrei-me dele ao ler no Globo brasileiro que Lula promete um segundo mandato mais ousado e com menos sacrifícios. Os brasileiros, tal como os portugueses, conhecem de cor e salteado a palavra “sacrifício”, sentem-se, aliás, quotidianamente imolados em todas as aras do mundo, que parecem falar apenas em português. E lembrei-me de Ducrot por causa daquele verbo prometer. Quando um político promete, ele está já fazendo, porque prometer é fazer. Sócrates também prometeu, e muito, e quando o fez, fê-lo. Porque fazer depois de prometer é tautologia, é redundância. Por isso ele, depois de prometer, trocou os pés e desatou a desfazer. Ou melhor, a desfazer para mim ou para ti. Que para os outros, bancos e quejandos, a tautologia teve imensos benefícios. Que o verbo seja transitivo, ainda aceito. Que eu seja o complemento indirecto, vade retro Satanás!

quarta-feira, novembro 22

PORTO, BENFICA, SÓ FALTAM OS SPORTINGS...

O Porto lá ganhou, grande resultado. O Benfica quando quer também faz umas coisitas. Acredito que o Sporting vai continuar na senda das vitórias. E o Braga, claro, não pode fazer por menos. Força nisso, rapazes!

segunda-feira, novembro 20

COMPLEMENTO DE NOME

Por definição, o complemento de nome é o constituinte do grupo nominal que se encontra à direita do núcleo e é seleccionado por ele. Logo, pode ser um grupo adjectival, preposicional ou frásico. Até aqui tudo bem, nenhuma dificuldade. Mas, e aqui está a dificuldade, como saber se o complemento é seleccionado pelo nome? Eis como o factor semântico é fundamental. Quem disse que a semântica não interessa?

domingo, novembro 19

Portugal é o sétimo país nos roubos a bancos

Segundo um relatório da Federação Bancária Europeia, Portugal subiu alguns lugares e já é sétimo nos roubos a bancos. Alguns admiram-se, eu não. Acho, até, que vamos chegar ao primeiro lugar. E é justo. Se os bancos portugueses estão em primeiro lugar nos "roubos" aos clientes, porque não hão-de os "clientes" ocupar o mesmíssimo lugar? É a lei da equilibração.

quinta-feira, novembro 16

TERMINOLOGIA LINGUÍSTICA

Estou a analisar calmamente a terminologia linguística proposta para os ensinos básico e secundário. Em princípio, sou a favor de uma actualização da nomenclatura gramatical em uso desde sessenta e sete. O avanço da ciência linguística "obriga" a uma actualização, sob pena de determinados fenómenos da língua, entretanto descobertos e profundamente analisados, serem dificilmente explicáveis à luz da gramática tradicional. Não sou, no entanto, a favor de uma actualização a qualquer custo. Daqui a uns tempos direi qualquer coisa.

terça-feira, novembro 14

TEM DIAS!

A expressão não parece a mais correcta, mas se o povo a diz, é porque existe. Compreende-se: a nossa vida tem dias melhores e outros piores, às vezes apetece-nos partir a loiça toda, outras somos uns anjinhos, muito calmos e molengas. Portugal também tem dias, tudo depende da disposição dos nossos governantes. Eu gostava que o meu país tivesse mais milénios, mais séculos, e que os portugueses o amassem profundamente, como se ama o pai e a mãe, e a terra que nos viu nascer. Não sei, porém, se terá dias. Que a coisa, como dizem os nossos gerundivos brasileiros, tá rolando preta, tudo fugindo prà estranja em busca do pãozinho. Sei não...

segunda-feira, novembro 13

OS BURACOS DA LEI

Segundo alguns jornais, um "buraco" na lei autoriza as instituições financeiras a adquirir imóveis sem pagar imposto municipal. Eu pago, tu pagas, eles não pagam. O Estado é lesado em mais de seis milhões de contos com esta falha legislativa. Céptico como sou, passo a vida a perguntar: por que raio estes "buracos" são sempre para os outros, e nunca para mim, para o simples mortal? Por que grande tromba de água os bancos são sempre os beneficiados com estas "falhas", estes "buracos"? Aqui este mindinho diz-me que estas coisas não acontecem por acaso e que as "falhas legislativas", os "buracos", as vírgulas a mais ou a menos, são cogitadas ao micrómetro. Mas detectaram a coisa. Já não é mau! Mas, quantas outras ficaram por detectar? Hmmm... desconfio que.

domingo, novembro 12

A HORRENDA MORTE DO RATO

O rato vai morrer. Quem o afirma é Bill Gates, o patrão da Microsoft. E o papel. E, já agora, o teclado. Para as árvores, a notícia é excelente. Para os fabricantes de teclados, é má, muito má. Para os ratos, coitados, nem se fala. Segundo Gates, o ritmo da evolução tecnológica vai aumentar. Tudo será resolvido pela voz e pelas mãos. Ainda bem que o tacto vai continuar com função, convém, não é verdade? Os chineses é que não parecem muito preocupados com estas inovações. Aliás, tentam impedi-las a todo o custo. Mas, Internet para quê, perguntam os chineses, que crescem em taxas de mais de dez por cento ao ano. E realmente… Gates é um retórico. Pergunta ele, referindo-se à China: interessa ou não que a Internet possibilite um maior acesso à informação disponível naquele país? Grande pergunta. E se transferíssemos a mesma pergunta para este pequenino Portugal?

sexta-feira, novembro 10



QUADRANTE DE OSSONOBA?

De acordo com Alberto Gomes, em Moedas Portuguesas, 2001:38 “Ossonoba identifica-se com a primitiva povoação, de origem anterior ao domínio romano, presumivelmente de fundação cartaginesa, existente no local onde é a cidade de Faro. Todavia, foi anteriormente localizada no sítio de Mireu, em Estoi, a 9 Km da capital do Algarve. Durante o século I a.C. bateu moeda talvez em duas épocas diferentes, a que correspondem tipologias diferenciadas, de que se conhecem presumíveis dupôndios em cobre e divisores em chumbo, estes quase todos mostrando bastante desgaste”.
Não deixa de ser interessante a referência a presumíveis dupôndios quando, na página 38, surge um dupôndio com 23,10 g e referência 28.02.
A verdade é que possuo dois exemplares de OSSONOBA muito desgastados, de que o da imagem é um dos exemplos. Tenho dificuldade em classificá-lo. Parece-me um quadrante, mas também pode ser um sextante. À esquerda é visível uma nave; à direita, um atum e, debaixo, a referência OSO. O material é o chumbo, o diâmetro é de 13 mm e o peso 2,6 gramas.
Gostaria que me ajudassem a classificá-lo. Já agora, podemos aproveitar para aprofundar o conhecimento destas moedas de OSSONOBA.

Bom dia!

Olá, bom dia! Está um dia bonito, hoje está tudo a fazer greve, acho que vou até à Santa Marta das Cortiças descobrir o célebre palácio suevo. Entretanto, deixo-vos o texto seguinte, para entreter e aprender mais um pouquito.

quarta-feira, novembro 8

AINDA REQUIÁRIO

Relacionado com e parcialmente derivado deste tópico, decorre no Fórum de Numismática um debate em torno da numária de Requiário. Realço os contributos de António Carlos Diogo, Mário Carvalho, Avelino Nascimento e Fabiano Oliveira, entre outros, para este interessante debate. Ligações que esclarecem esta questão são, de momento, as seguintes:

http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?t=8300
http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?t=8182
http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?t=8223

terça-feira, novembro 7


SÓLIDO DE REQUIÁRIO?
Sabemos que, pelo século V, os suevos se fixaram, sob a batuta de Hermerico, na província da Gallaecia, hoje Galiza, e estabeleceram um reino independente cuja capital foi Bracara, hoje Braga. Em 438-455, Requiário comandava as hostes e cunhava moeda.
Leio no Diário do Minho de hoje que, na leiloeira inglesa Italo Vecchi, se encontra a moeda da imagem ( que fotografei do jornal citado), com cunho BR ( presumivelmente BRaga). Sande Lemos, arqueólogo da Universidade do Minho, propôs ao instituto Português do Museu e ao Museu D. Diogo de Sousa a sua aquisição, temendo que a moeda se perca em mãos estranhas.
Sande Lemos sugere que este sólido, que considera inédito ( no AG, realmente, não o vejo referido), pode ser relacionado com as 4 siliquas Iussu Rechiaris cunhadas por Requiário.
Gostaria que comentassem aqui este facto.
ESTE VERBO PARECER...

Marques Mendes alia-se a Jardim no voto sobre a lei das finanças regionais. Em Política, parece não haver princípios, nem vergonha.

Eduardo Prado Coelho, PÚBLICO, 06-11-2006

Este verbo parecer, em português, faz cá um jeitão... Ele parece, parece que, o que parece é ou não é? E assim lavamos as mãos com as palavras. Era mais fácil dizer que, em Política, não há princípios nem vergonha. Pelo menos na portuguesa. Ou continuamos no parece, amigo Eduardo?

segunda-feira, novembro 6


NOME SUBSTANTIVO

Substância nome
Nome substância
Ar substância
Amor nome
Beleza aérea
O ar tem nome
Ar substantivo
Não é nome
Eriça o nome
Adjectiva o nome
Porra para o nome
Viva o substantivo
Fede o substantivo
Viva a rosa
O cheiro
O nome.

VIOLÊNCIA INFANTIL

Dizem os psicólogos: a televisão é parcialmente responsável pela violência infantil. E explicam tal facto com a forma como os filmes são feitos, com os valores que são implicitamente transmitidos, com a valoração de heróis que vencem sempre os seus inimigos à força da bala, do murro ou da patada. Dantes, o cow-boy era o herói. Os vilões eram os índios. E os heróis ganhavam soprando, ufanos, o cano do revólver, enquanto o pobre índio agonizava, impotente, com os seus frágeis arco e flecha. Hoje temos o grande Super-Homem, o inimitável Homem-Aranha, o horrível Dragon Ball e todos os estilhaços esqueléticos que voam pelos ares. Hoje já ninguém lê contos de fadas.
Preocupados, os psicólogos berram com os pais. A culpa é deles, que não filtram o que os filhos vêem. E têm parcialmente razão. Mas, perante a miserável e exigente vida actual, que pais podem estar sistematicamente perto dos filhos para controlarem aquilo que vêem? Eu diria que é uma missão quase impossível, e que os nossos filhos são espectadores e sujeitos da violência imposta.
Se a televisão, a Internet, são hoje instrumentos insubstituíveis na sociedade actual, não lhes competirá, à partida, a filtragem dos conteúdos e das imagens violentas?
Com um controlo mínimo e sub-reptício, sempre dei aos meus filhos liberdade e autonomia para verem e lerem o que quisessem. Mas sempre me preocupei em conversar com eles sobre alguns conteúdos, sobre algumas mensagens ou imagens mais perturbadoras. Não sei se consegui educá-los bem a cem por cento. Sei, no entanto, que são jovens calmos, ponderados, alegres e ciosos de aprender. Oxalá todos os pais pudessem agir com os filhos como eu tenho agido. Mas, às vezes, nós agimos e a coisa corre torta. Educar é tão difícil…

domingo, novembro 5

APAGÃO E APAGÕES

Ontem houve um "apagão" em Portugal devido a uma avaria na rede eléctrica alemã. Outros países europeus sofreram o mesmo "apagão". Interessante, esta nossa dependência dos alemães, que, segundo rezam as crónicas, são o motor da Europa. Quando eles desligam o interruptor e a Europa fica às escuras, mal vai a Europa. Hoje desligam o interruptor, amanhã fecham uma fábrica de automóveis, depois de amanhã não nos emprestam dinheiro... E eu a pensar que dependíamos dos espanhóis...

sábado, novembro 4

O RESPEITO

Diz Mido, o internacional egípcio do Tottenham, a propósito de Mourinho:


A primeira vez que ouvi falar de Mourinho foi quando estive emprestado ao Celta de Vigo e o Benni McCarthy foi cedido ao Porto. Perguntei-lhe por que razão trocava o futebol espanhol pelo português e ele respondeu-me “porque têm um treinador fantástico. Não é fácil manter todos os jogadores motivados quando se tem uma grande equipa, todos falam sobre ele com um grande respeito".

Pois é. Este tipo de respeito conquista-se pelo exemplo. Ninguém o impõe, é impossível. Os outros falam assim de Mourinho. Os nossos, com a célebre dor de cotovelo, é o que se vê.

quinta-feira, novembro 2

EMIGRAÇÃO ESTÁ A AUMENTAR

O último relatório da OCDE " Perspectiva das Migrações Internacionais" afirma que a entrada de portugueses na Suiça entre 2001 e 2004 quase quadruplicou. Imagino que, neste momento, terá decuplicado. Ao mesmo tempo, entram em Portugal cada vez menos imigrantes. Saem mais, entram menos, não há criancinhas, estamos todos velhotes, ninguém quer este jardim de flores plastificadas. Pudera...

quarta-feira, novembro 1

POEMA DE SOPHIA

Porque

Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.

segunda-feira, outubro 30


UM PONTINHO, NADA MAU...
No meio de tanta beleza, receber um simpático pontinho foi muito agradável, lá no Fórum de Numismática. Fica aqui o registo de uma moeda que até nem é muito fácil de encontrar, pelo menos com o carimbo de 60 reis, assim para o redondo e tudo.Relativamente à observação feita pelo Victor Almeida, não sei se os carimbos de 60 reis eram todos rectangulares. Os de 120, 100 e SO surgem sempre, ou quase sempre, ligeiramente arredondados, e não é a primeira vez que os vejo com este formato. No Aragão, o desenho é rectangular; no AG estão três imagens com carimbos diferentes, incluindo um igual a este.

O que sabemos é que entre 1580 e 1640 Portugal foi governado pelos Filipes espanhóis. Com a Restauração, em 1640, e com o esforço de guerra, o país necessitava de recuperar a credibilidade económica. D. João IV publicou vários decretos para evitar a fuga de valores, ouro, prata e outros metais, e para reajustar o valor da própria moeda. Por alvará de 1 e 3 de Fevereiro de 1642, e dado que não era possível fundir e cunhar toda a moeda de prata que circulava no reino, determinou-se contramarcar várias moedas com os desenhos de 120, 100, 60 e S0. A marca de 60 reis foi aposta no meio tostão de D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, Governadores do reino e Filipes. Por conveniência, foi também aposto no real de Espanha.


domingo, outubro 29

Estou como o Eugénio, o de Castro...

Três da manhã. Desperto incerto... E essa quermesse?
E a Flor que sonho? e o sonho? Ah! tudo isso esmorece!
No meu quarto uma luz luz com lumes amenos,
Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos...

sexta-feira, outubro 27

CAMPO DA VINHA, TÚNEL E ALGUNS PERIGOS

Hoje estacionei no parque subterrâneo do Campo da Vinha. Quando quis sair, na direcção da Avenida da Liberdade, fiquei encravado. Em primeiro lugar, dentro do próprio parque, durante uns largos minutos. Em seguida, no túnel que finaliza em frente ao Theatro Circo. Demorei cerca de 15 minutos a fazer um percurso de cem metros. Verifiquei, na saída do túnel, que estavam a fazer algumas obras na via, mesmo em frente ao Theatro. Claro, se as obras são necessárias, que sejam feitas. Mas, fiquei a pensar: e se houvesse um acidente, ou no parque, ou no túnel? Que soluções estão estudadas para essa sempre possível hipótese? Fiquei com a sensação de que, se houvesse um acidente assim para o grave, ficaríamos lá todos. Será que ficaremos lá todos se houver mesmo um acidente grave naqueles dois lugares? Nem quero pensar nisso! Mas pela aragem…