segunda-feira, agosto 20
sábado, julho 28
Viva o desporto! Vivam os jornais desportivos! Vivam todos os que acreditam que a CULTURA também se faz de dardos, de discos, de varas e de relvas, de campos enlameados, de palavras, de frases e de ideias além dos nossos grandes saramagos.
terça-feira, julho 24
Não consigo perceber porque se preocupam tanto com o petróleo. Se o descobrirem ao largo de Peniche (lagarto, lagarto, toc, toc, toc…), era uma vez uma costa linda e donzela. Porque do Carvoeiro, nem vê-lo, quando muito ver-se-á ao longe e ao perto a negridão do carvão… Também não entendo esta azáfama em torno de ouros ou volfrámios, como se de metais vivêssemos neste rectângulo cada vez mais quadrado. Vocês já viram os bancos? Não mexem uma palha, a malta vai de joelhos e sai a esguichar sangue, e ele são lucros fabulosos em hora de soluço colectivo. Portanto, a prospecção só faz gastar dinheiro, é completamente desnecessária, além de dar cabo dos costados cá do pessoal que, na escuridão das minas, tem de vergar a cerviz a tudo quanto é capataz. E tudo isto porque, já viram bem, há uma mina nas estradas, nas ruas e ruelas, nos becos sem saída de cada cidade ou quarteirão. Alguns já descobriram a mina. Ou as minas. Por exemplo, a dos parques de estacionamento. Grande mina, hem? E esta dos limites de velocidade? Caramba… Mais vale tarde do que nunca. Ele era o Porto, ele é Lisboa, é só minério a entrar nos cofres das edilidades… Tenho de me pôr a pau: o meu mesquitinha ou anda a dormir ou anda a programá-las. E era bem feito! Porque é preciso pagar a Pedreira nem que seja à pedreirada… Oh Mesquita, acorda, rapaz!!!
domingo, julho 15
Quando eu era rapazote, de canastra na cabeça e pose lampeira, as sardinheiras apregoavam em bem sincopados pregões: “Vinte à croa!”. Era o tempo da sardinha farta e só aparentemente barata. Pelas bandas da aldeia, comer uma sardinha era descobrir o cheiro do mar, e como ela sabia bem em cima de um naco de pão…Tal como as iscas de bacalhau, iscas fritas, que o bacalhau cozido ficava sempre debaixo das couves e das batatas até ao arroto final. Naquele tempo, pois, eram a sardinha e o bacalhau. Peixe do povo, que nem de léguas mirava outras suculentas barbatanas. Para o povo, chegava a sardinha e o bacalhau. Aliás, era o que podia comer, quando de longe se apregoava o pitéu. Mas para os outros havia com certeza boa lagosta e bom camarão. “Para quem é, bacalhau basta”. Naquele tempo, que não agora. Porque agora, o bacalhau não basta ao povo. Já viram o preço dele? Ontem fui comprar duas postas demolhadas, congeladas, assim para o pequeno. Fiquei de olhos em bico: 15 euros (que saudadinhas da croa = coroa=50 centavos)! Meu Deus, como os tempos mudam. No S. João paguei sardinha assada a 3 euros… Não! Temos de mudar a expressão. Melhor será dizer que, “Para quem é, bacalhau talvez baste”. Isto se quisermos dar de oferenda um bacalhau ao grande amigo. Ou talvez um peru. Mas cuidado com os sentidos, que esta língua é mesmo muito traiçoeira…
sexta-feira, julho 13
quinta-feira, julho 12
sábado, junho 30
«Parecemos piranhas atrás dos talentos de Portugal», diz treinador do Newcastle.
É verdade. Portugal tem hoje uma política de formação, na modalidade de futebol, que não tem paralelo em toda a Europa. Clubes como o Sporting, o Porto ou o Benfica, mas também como o Boavista ou o Vitória de Guimarães, marcam a diferença e produzem jovens talentos que, se bem trabalhados, rendem fortunas. Pelos lados de Alcochete, há muito se descobriu o filão. O Sporting tem olheiros em tudo quanto é canto, e os resultados aparecem. O Porto vai tentando. O Benfica, o "maior do mundo", tenta dar alguns passos. Para quem conhece o sistema, o Vitória de Guimarães potencia-se como grande formador, e aqui pelo norte bate-se com todos. Bato palmas ao Vitória que, desde os tempos da Unidade, soube construir um património e um centro de formação de grande valor. Claro que é preciso melhorar, mas os resultados estão aí... Infelizmente, o meu Sporting de Braga, neste aspecto, é uma desolação. A equipas dirigentes só querem saber do futebol profissional e dão zero aos jovens, que, coitados, treinam em 5 metros de terra enlameada. E quantos jovens talentos não têm passado por este nosso clube... São uns anjinhos. Para quando uma equipa dirigente com olhinhos? Eu começaria pela base, pelas infra-estruturas. Partiria do zero, porque o Sporting de Braga, neste aspecto, está no zero! E eles, os jovens, saem do clube, partem, vão para os Sportings. E, claro, servem de refeição às piranhas. Quanto recebeu até hoje o Sporting de Braga por ter feito formação desde os Infantis? Imagino que zero absoluto. Uma tristeza!
sábado, junho 23
Este Picasso das ruas, inglês, é um tratado. Entretenham-se a vê-lo nas seguintes páginas:
http://users.skynet.be/J.Beever/index.html
http://www.enkidu.cx/stumble/beever/
http://users.skynet.be/J.Beever/pave.htm
http://elt0n.wordpress.com/2006/12/18/julian-beever-e-seus-desenhos/
sexta-feira, junho 22
Tenho nas mãos a prova de Português do nono ano de escolaridade. Penso dá-la ao meu mais novo, para treinar, acho que conseguirá resolvê-la sem grande dificuldade. Leio a prova e leio os critérios de correcção. Ou muito me engano ou, com base em tais critérios, os nossos alunos serão todos sumidades. Por exemplo, o ponto nove pede para o aluno imaginar, em uma ou mais frases, um slogan para uma campanha de recolha de alimentos. A solução vale 5% do total da prova. Uma ou mais frases. O que é uma frase? Presumo que alguns alunos escreverão uma frase com uma, duas, três ou mais palavras. Porque é possível construir frases com uma, duas, ou três palavras.Vejo os critérios e noto algo de errado. Porque, desde que o aluno respeite a intenção comunicativa e utilize estratégias discursivas próprias do registo apelativo, e desde que não dê mais de três erros, poderá obter a cotação máxima. Temos então que, sendo DEIA AUS PROBES! uma frase de tipo apelativo que me parece fortíssima, até pelos erros que contém, deverá ser cotada com 5 pontos. Há qualquer coisa realmente errada nestes critérios, não há? Porque, se a intenção da mensagem apelativa é persuadir o outro, o que me impede de escrever uma mensagem com erros desde que cumpra tal objectivo? Lembram-se do célebre Tou Xim? Quantos milhões rendeu esta frase com dois erros de bradar aos céus? Há realmente aqui algo que não bate certo.
sábado, junho 16
Um partido português recebeu donativos de um senhor chamado Jacinto Leite Capelo Rego. Eu acho bem, até deviam receber do João de Mil Novecentos e Setenta e Quatro, ou da Naída Navinda Navolta. Nem sei porque os outros partidos se abespinham… Cá para mim, seja Jacinto ou João, seja Natércia ou Navinda, o que é preciso é mover a mó do moinho. E depois admiram-se quando, no café ou no restaurante do lado, o Zé manda umas piadas aos excelsos que nos iluminam…
segunda-feira, junho 11
domingo, junho 10
quinta-feira, maio 24
O prefixo é o elemento da palavra, um afixo, que vem antes da raiz (semantema), e tem origem, em geral, em advérbios ou preposições que têm ou tiveram vida autónoma. Há-os de origem grega e latina, e não poucas vezes causam uma grande confusão, provocada, essencialmente, por factores psicológicos de analogia. O prefixo anti é um desses elementos, e não é fácil sistematizar o seu uso. De um modo simples, porém, podemos dizer que tal prefixo:
a) se junta a todas as consoantes: anticorpo, antigripal…
b) excepto às consoantes h, r e s : anti-histamínico, anti-romanismo, anti-semita,
c) e à vogal i : anti-inflamatório.
O significado geral é o de oposição, ou acção contrária.
Não é fácil interiorizar as excepções e jogá-las com a regra. É fácil pensar: se escrevo anti-inflamatório com hífen, antialérgico também deve levar hífen. Errado. Se escrevo anti-semita, porquê anticorpo? Pois é, não há nada como estudar, fixar, sistematizar. Saber Português obriga a saber estas pequeninas coisas...
quarta-feira, maio 23
No nosso dia-a-dia, de acordo com as múltiplas circunstâncias em que nos movemos, dificilmente usamos um registo de língua uniforme, nem ele existe, como é fácil de ver. Podemos, claro, falar cuidadosamente, com estruturas e palavras “elevadas”, numa conferência de linguística, numa aula de Português, ou, até, numa mesa de café. No entanto, parece evidente que, se participamos num jogo amigável de futebol, o registo desce ligeiramente, e não raras vezes se ouve uma carvalhada acrescida de uma sonora gargalhada. Quer dizer, usamos diversos registos em diversos momentos consoante as circunstâncias, e, se o intuito não for clara e inequivocamente ofensivo, ninguém levará a mal tais carvalhadas. Aliás, expressões consideradas ofensivas, como caralho, ou filho da puta, podem perfeitamente ser usadas com valoração bem positiva. Por exemplo, e neguem-no, se forem capazes, quando vejo Cristiano Ronaldo a torcer os olhos aos defesas e digo Que filho da puta de jogador! Extraordinário…, faço-o com profunda admiração, e nunca com sentido pejorativo.
Vem isto a propósito de uma senhora directora da DREN que decidiu suspender um professor destacado pelo simples facto de ele ter usado a expressão filho da puta num contexto qualquer que não foi especificado ( expressão que, aliás, o professor nega ter usado). E tudo porque, na sua opinião, ofendeu o primeiro-ministro que, ao que parece, é um ser celestial, profundamente angélico e que, durante a sua eremítica vida, nunca deve ter proferido nem uma singelinha carvalhada. Ora, ao que se vislumbra, descobrimos de repente estar o nosso país em fase purgatória, sob os auspícios de angélicos e linguisticamente imaculados dirigentes que, no seu afã de protecção de tachos e panelas, genuflectem perante sábios, eremitas e, pasme-se, até filósofos. Percebe-se a emergência de uma censura que pensávamos a milhas, lá longe, no alto mar. Pelos vistos, as censuras e os censores andem por aí, como diz o zé povinho. Ora bolas: por este caminho, noventa e nove por cento dos portugueses vão ser sujeitos a processo disciplinar por excesso de linguagem. Entom a malta do Puerto, carago… (será que posso dizer carago se o nosso Sócrates me der mais um encontrão? Hmmm… tenho de pensar bem nisso, não vá o diabo tecê-las…).
segunda-feira, maio 21
21.05.2007 – 20h 08m Reuters
É a lei da proporção progressiva: no princípio eram só balas, e lá se foi o índio; nos intermédios eram só bombas, e lá se foram uns, e lá se foram outros; no final de contas, isto é G8 ou é G3? Baixem mas é a bolinha se não ainda disparo umas rajadas que vos lixo...
sábado, maio 19
O três é um numeral cardinal, com marca masculina e singular. Quando, no entanto, se ouve a expressão popular os três, plural, remete-se imediatamente para o âmbito sexual. Perder os três significa perder a virgindade. Se procurarmos, porém, o significado de três num qualquer dicionário, dificilmente encontraremos referências que ultrapassem o âmbito numeral. Deixemos a vista alongar-se pelos verbetes relativos a este algarismo e, lá mais para a frente, encontramos o verbete três-vinténs. É isso: quando se fala dos três, fala-se dos três-vinténs. Ora, o vintém é uma moeda, com primeiro curso em D. Manuel I, e os três-vinténs devem corresponder ao meio tostão (50 reais) acrescido de mais dez que, por artes inflacionistas, foram acrescidos ao valor inicial. O tostão media aproximadamente 20 milímetros ( notem bem, 20 milímetros!) de diâmetro. Ora, parece que lá para o norte de África havia o hábito de confirmar a virgindade das donzelas exactamente com uma moeda, que teria mais ou menos o tamanho do hímen. A donzela ganhava ou perdia os três vinténs, consoante fosse virgem ou não. Por metonímia, a expressão deve ter voado de lá para cá, e por isso há quem perca os três. A explicação é interessante e lógica. Mas… exactamente 20 milímetros....?
quarta-feira, maio 16
domingo, maio 13
quinta-feira, maio 10
sábado, maio 5
Lê-se a palavra. Não, não é rol, é mesmo ror. Mas esta palavra usa-se? Perguntei a uns trinta alunos: ninguém a conhecia. Acrescentei-lhe a preposição de: ror de. Na mesma, como a lesma. Incluí-a numa frase: No S. João estava um ror de gente. Aaaahhh… Agora sim, abriram a boca de espanto. Nunca ouviram ou leram a palavra ou a locução. Mas descobriram o sentido. Interessantes, os mecanismos linguísticos: No S. João estava muita gente. O que poucos sabem é que ror é uma redução de horror: No S. João estava um horror de gente. Costuma estar, desde que não chova.
segunda-feira, abril 30
Un manso río, una vereda estrecha,
un campo solitario y un pinar,
y el viejo puente rústico y sencillo
completando tan grata soledad.
¿Qué es soledad? Para llenar el mundo
basta a veces un solo pensamiento.
Por eso hoy, hartos de belleza, encuentras
el puente, el río y el pinar desiertos.
No son nube ni flor los que enamoran;
eres tú, corazón, triste o dichoso,
ya del dolor y del placer el árbitro,
quien seca el mar y hace habitar el polo.
O pai de um aluno foi chamado à escola do filho. Quando chegou, disse-lhe: "Diga-me lá, senhor professor, o que é que ele fez? Pelo sim, pelo não, já lhe dei uma tareia". Parece anedota, mas, garante Morgado, aconteceu assim. O caso ilustra como entre algumas famílias está instalada a ideia de que ir à escola dos filhos "é sinónimo de problemas, de ir ouvir alguma coisa má sobre eles". E só isso.
In Público de 30.04.2007
Risível, não é verdade? E dá que pensar. O nosso problema é que pensamos pouco, deixamos que os outros pensem por nós… Eu, que até acompanho razoavelmente a vida escolar dos meus filhos, já senti este problema: os procedimentos burocráticos incidem exclusivamente nos aspectos “negativos” da acção juvenil. O aluno deixa cair um lápis? Comunica-se ao director de turma. O aluno espirra? Comunica-se ao director de turma. O aluno ri-se? Comunica-se ao director de turma. E este, claro, ampliando os acontecimentos, comunica aos pais. Que, embrenhados na sua vida, detestam receber tais comunicados. Em trinta anos de vigilância escolar dos meus filhos, nunca recebi informações positivas suas. Penso que há excesso de zelo da parte de alguns professores, demasiado preocupados com o comportamento dos seus alunos. Tenho para mim que um bom professor saberá encontrar a cada momento as estratégias adequadas, com aulas bem planeadas e atractivas, de forma a não "permitir" maus comportamentos. Em mais de trinta anos de profissão, NUNCA fiz uma participação disciplinar! Nunca achei necessário, nem sei porque deveria passar para os outros responsabilidades exclusivamente minhas. Porque o professor tem de amar os seus alunos, e compreendê-los, e perdoar-lhes, tal como amamos e perdoamos os nossos filhos. Eu sei que a coisa às vezes é complicada, que há comportamentos difíceis de entender, e que há professores sem paciência. Mas...
sexta-feira, abril 27
Acabei A cidadela branca. Li o livro em seis horas, nada mau. E se o li em seis horas isso significa que gostei. O tema é simples e poderia resumir-se em “Quem sou eu?”. Não me perguntem porque gostei, eu limito-me a gostar, e o critério estético é exactamente esse, o do gosto. Nesse aspecto, vou na onda do Vergílio Ferreira. Não sei porquê, mas lembrei-me de Borges, esse argentino extraordinário. E é tudo. Ah… para a Margarida, a minha comentadora: quando disse “risquei” queria dizer “sublinhei”. Tenho montanhas de livros sublinhados, são meus e são da minha gente. Tomara eu que o meu mais novo sublinhasse…
quinta-feira, abril 26
Comecei o Pamuk. Vou na página 70 de A cidadela branca. Risquei a seguinte passagem:
(…) por serem todos “idiotas”, não olhavam para os astros que se moviam por cima das suas cabeças e não reflectiam sobre esses movimentos; por serem idiotas, perguntavam antes de mais nada para o que podia servir o que iam aprender; por serem idiotas, não se preocupavam com pormenores e contentavam-se com resumos (…).
Hmmm… o contexto é diferente, mas isto faz-me lembrar qualquer coisa…
segunda-feira, abril 23
Ter alunos estrangeiros tem destas vantagens: nós ensinamos pouco e aprendemos muito. Hoje conversávamos sobre Saramago, sobre as peculiaridades do seu estilo, denso e difícil. Falamos, claro, sobre o prémio Nobel. O Hakan, de barbicha ao queixo, sorriu e perguntou: o professor já leu o Orhan Pamuk? Oh vergonha das vergonhas, disse-lhe que não. Mas é o Nobel 2006, sorriu. Engoli em seco e prometi-lhe que sim, que iria ler tudo do Orhan. E o prometido é devido: vou ler o grande escritor turco. Depois direi qualquer coisa.
quinta-feira, abril 19
Pois é, abro os jornais e espanto-me com o esgar guerreiro e os dentes eriçado-amarelos dos nossos jogadores de bola. Um diz que vão lutar até à morte. Coitado. Lá terá de ser… Outro diz que vão lutar até à última gota de sangue. Já viram? Eles a correr e o sangue a pingar, a pingar… Por isso é que eles caem tanto, coitados… O do Benfica é mais epidérmico, vai deixar a pele em campo, acho que já comprou dois quilos de pele artificial… Os do Porto, esses, porque o Norte é mais verde e mais saboroso, até comem a relva. Mas não, estes não são guerreiros, estes parecem ruminar no fim de cada jogo. De momento, a vantagem é dos ruminantes, porque se alimentam bem. Os outros, sem pinga de sangue, já não podem com a bola. Este futebolês…
quarta-feira, abril 18
No Algarve, houve um Torneio de miúdos, vieram de todo o lado, também da nossa vizinha Espanha. Quando tocou o hino espanhol, a equipa do Barcelona não compareceu. Deve haver alguma explicação para o facto, mas em Espanha caiu o Carmo e a Trindade. Segundo a “Marca” de hoje, Laporta respeita o veto do hino espanhol: “Yo no voy a alimentar estas cuestiones. Se retroalimentan solas. Respeto todo lo que han hecho los representantes del club en esta cuestión y en todas porque toman las decisiones que creen que tienen que tomar. Y pido respeto también”. Claro, o respeito é muito bonito. Mas los niños... Devíamos proibir os hinos? Se calhar, como neste caso, as crianças agradeciam. Porque isto de "Às armas, às armas..." cheira ligeiramente a vivaz arcaísmo. Ou estou a exagerar?
segunda-feira, abril 16
Hoje a Bela deu-me uma lição toda floral. Eu já sabia que nomear a natureza requer imensa sabedoria, há tantas árvores, tantas flores, que até me sinto envergonhado por desconhecê-las. Quer dizer, eu sei o que é uma tília, tenho-a mesmo em frente do nariz, dá muita sombra nos dias de canícula; também sei o que é um castanheiro, como dele as castanhas, a minha mobília é de castanho, podia ser de vinhático, mas não é. E até sei mais alguns nomes, mas perante elas, quando as vejo e quero identificá-las, saltam-me as meninges, sou analfabeto, alguém falhou na formação e fui com certeza eu. A Bela, pois, falou-me da arruda. Eu conhecia o nome, mas nunca a vira. Que cheira mal, diz ela. Eu não achei. Tem um cheiro forte, mas não desagradável. Que espanta o mau-olhado. E parece ser verdade, pelo menos os antigos já lhe atribuíam esse condão. Outros querem-na afrodisíaca. Eles lá sabem. Mas quando me falou nos olhos-de-freira, nos pica-narizes ou nas cristas-de-galo, juro que descambei. Eu de flores sei as rosas e os cravos, os contáveis mal-me-queres e, em excepcional extremo, os brincos-de-princesa ou as alegria-no-lar, todas elas flores bem jardináticas e nada dadas a grandes interiores. O que eu não esperava da Belita era um não-te-metas-na-minha-vida. Olhei bem de soslaio para os seus ondulantes cabelos, franzi-lhe uma bochecha, e só ao fim de sorumbáticos segundos percebi que designava uma ervita qualquer. E eu na minha ignorância: isso são designações bem regionais, na minha terra nunca ouvi falar disso. A minha terra, ali ao lado, uma centena de metros, duas centenas talvez…
domingo, abril 8
Fiquei curioso. Não-te-metas-na-minha-vida é longa e curiosa designação para planta ou flor, e prova esta relação quase indissolúvel entre as nossas emoções e a natureza que as pressente. Na minha busca de outros nomes curiosos, de plantas ou flores, encontrei o choramingas não-me-deixes. Lembrei-me imediatamente daqueles versos do Gonçalves Dias, que dizem assim:
Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava...
"Ai, não me deixes, não!"
Onde terá o miosótis ganho cidadania como não-me-deixes? Na pena do poeta? Ou terá o poeta jogado este jogo entre a coisa e a sua denominação popular? Porque o povo tem-nas boas, ora é o não-me-deixes, ora o não-me-esqueças, ora ainda o não-me-toques, ora, no limite, o não-te-esqueças-de-mim. Claro que foi o povo, não o erudito, que nomeou as flores. A flor é de Abril ou é de Maio, é de esperança, é de amor ou de paixão. A de lis é também a da verdade. A flor-da-noite traz consigo uma alvorada. A viuvinha, essa, é a flor-de-viúva sorrindo à nova vida. Mas a melhor, a que me deixa mesmo derretido pela abrangência da significação é, sem a mínima dúvida, a flor-de-babado-de-nossa-senhora. Que a Senhora compreenda, e nos perdoe todos os pecados, inclusive o da nomeação.
quarta-feira, abril 4
Soa tão mal, não soa? A verdade, porém, é que a verdade anda de tal forma aos trambolhões que já nem tolera a mentira. Porque mentir é, segundo o dicionarista, uma acção bruta. E não convém ser-se bruto quando assim se mente. Nós ouvimos os políticos e eles nunca mentem. Quando muito, dizem algumas inverdades. E pronto, ficam de alma lavada. Se a língua é bela, este neologismo é feio. Atiremo-lo, Lídia, à força do rio.
quinta-feira, março 22
quarta-feira, março 21
O soft embalmer of the still midnight,
Shutting, with careful fingers and benign,
Our gloom-pleas'd eyes, embower'd from the light,
Enshaded in forgetfulness divine:
O soothest Sleep! if so it please thee, close
In midst of this thine hymn my willing eyes,
Or wait the "Amen," ere thy poppy throws
Around my bed its lulling charities.
Then save me, or the passed day will shine
Upon my pillow, breeding many woes,--
Save me from curious Conscience, that still lords
Its strength for darkness, burrowing like a mole;
Turn the key deftly in the oiled wards,
And seal the hushed Casket of my Soul.
John Keats
domingo, março 18
sábado, março 17
quarta-feira, março 14
A propósito da guerra no Iraque, diz o sueco Hans Blix, ex-inspector-chefe de armas das Nações Unidas, que Bush e Blair puseram pontos de exclamação em vez de pontos de interrogação, onde estavam perguntas, eles mudaram-nas para afirmações. Se o sueco o diz, é porque é verdade. E as consequências estão a ser terríveis. Quem diz que os sinais de pontuação não são importantes? Mudar de uma interrogação para um singelo ponto final equivale a uma guerra sangrenta e desnecessária. Como é possível que políticos “responsáveis” ajam desta forma despudorada sem receberem o merecido castigo? Blair vai embora nas calmas faiscando pepsodente. Bush passeia hipocrisias pela América latina. No entretanto, sofre-se no Iraque. Y no pasa nada…
domingo, março 11
quinta-feira, março 1
Segundo O DN de hoje, “os cidadãos que fazem mais lixo poderão vir a pagar mais. O Governo está a estudar a implementação de uma tarifa do lixo cobrada consoante a quantidade de resíduos produzidos. O conceito pay as you throw (pague consoante o que deita) pretende tornar mais justo o custo do tratamento dos resíduos, penalizando quem tem menor consciência ambiental. Na prática, poderá significar cobrar um preço consoante o peso ou o volume do saco do lixo”. Estou mesmo a imaginar a cena: adeus Sameiro, adeus Bom-Jesus, adeus Gerês… Porque, está claramente visto, se o português tiver de pagar ao quilo o lixo que produz, vai despejá-lo direitinho nas faldas das serras ou das montanhas. E lá se vai a nossa linda paisagem. Eu acho é que esta gente não conhece o chico português…
domingo, fevereiro 25
sábado, fevereiro 24
Diz Ivo Castro:
Não é o escritor, mas o gramático normativo quem fixa a norma; o escritor é o pretexto.
Se a norma fosse fixada por linguistas, e não por gramáticos, seria certamente mais respeitadora dos fenómenos de variação e dos actos de fala reais e verificáveis.
(...)
Contava Celso Cunha que Augusto Abelaira, incerto quanto a uma construção sintáctica infelizmente não identificada, pegou na Gramática do Português Contemporâneo para verificar se ela estava atestada; estava, mas atestada por uma citação do próprio Abelaira, que me confirmou a anedota.
quinta-feira, fevereiro 22
Existem várias formas possíveis para criar gentílicos, as mais comuns são as formadas por sufixos como -ês (em português), -ense (em macaense) e -ano (americano).
A formação dos gentílicos nem sempre consiste na junção de um prefixo à base do topónimo, este é um processo mais complexo, por exemplo, o gentílico de Castelo Branco é albicastrense e não *castelo-branquês, *castelo-branquense ou *castelo-brancano.
O Portal da Língua Portuguesa disponibiliza uma lista onde poderá consultar os diversos topónimos e respectivos gentílicos ordenados alfabeticamente, a pesquisa pode ser feita clicando:
na letra inicial do gentílico;
no nome do país;
no nome de distrito (para Portugal) e estado (para Brasil);
no nome do local (país, território)."
terça-feira, fevereiro 20
A descrição inicial é de um horrendo sublime:
Não acabava, quando ua figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.
A exposição emocional do gigante – um choro medonho - é, também ela, de uma beleza inigualável.
Já néscio, já da guerra desistindo,
Uma noite, de Dóris prometida,
Me aparece de longe o gesto lindo
Da branca Tétis, única, despida.
Como doudo corri de longe, abrindo
Os braços para aquela que era vida
Deste corpo, e começo os olhos belos
A lhe beijar, as faces e os cabelos.
…
Foi este contraste entre o horrendo e o belo, um exterior, outro interior, mas pertença do mesmo ser, que me levou a devorar Os Lusíadas e a relê-lo sempre com acrescido entusiasmo.
Camões é um enormíssimo poeta. Leiam-no, por favor!
segunda-feira, fevereiro 19
Procura-se a palavra, o seu significado. Em Finisterra, de Carlos de Oliveira, é planta de seiva leitosa, purificadora. Se a ideia existe e a palavra não, inventa-se a palavra. Releio cinquenta e uma vezes esta obra-prima e fico na paisagem. Talvez em breve a sinta preencher com seres imaginados, os aranhiços, as areias enormes, os bois em movimento. O povoamento. Talvez eu sinta a transfiguração final e compreenda a mensagem. Ansiosamente aguardo. Entretanto, ofereço aos leitores a ligação. Francesa, mas muito interessante. Aproveitem a lekti-ecriture.
domingo, fevereiro 18
sábado, fevereiro 17
sexta-feira, fevereiro 16
Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando Deus quiser.
Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.
Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser.
Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.
José Régio
quinta-feira, fevereiro 15
Francisco Manuel de Melo, Carta de Guia de Casados
De todas as grandes personalidades da literatura portuguesa, D. Francisco Manuel de Melo é, para mim, a mais extraordinária. Quando li, pela primeira vez, a Carta de Guia de Casados, fiquei absolutamente deslumbrado com a visão que o escritor tinha da mulher portuguesa. Claro que lida à distância de tantos anos, com a transformação cultural entretanto acontecida, a Carta nos força o sorriso. Mas que nos informa acerca do relacionamento marital da época, inflexivelmente patriarcal, isso é uma evidência. Leiamo-lo:
Dizia um nosso cortesão, havia três castas de casamento no mundo: casamento de Deus, casamento do diabo, casamento de morte. De Deus, o do mancebo com a moça. Do diabo, o da velha com o mancebo. Da morte, o da moça com o velho.
Ele certo tinha razão porque os casados moços podem viver com alegria; as velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia; os velhos casados com moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias.
quarta-feira, fevereiro 14
O senhor Cunha tem o gabinete à cunha por causa das cunhas. Coitado do homem! Denominaram-no assim, que há-de fazer? Coitado dele e coitadas das palavras, que não têm culpa nenhuma das nevralgias humanas. Pensando bem: se meto uma cunha para firmar dois objectos, que abjectos cunham os que, de havano em riste, fumegam no gabinete à cunha? Quem souber responder que responda.
segunda-feira, fevereiro 12
sábado, fevereiro 10
Li há tempos Thoughts in a Dry Season, de G. Brenan. Enquanto lia, lembrei-me daquela famosa canção, creio que espanhola, que diz tres cosas hay en la vida, salud, diñero y amor… Por acaso, uma canção muito bonita, pois transmite uma mensagem positiva a todo o ser humano. E dei por mim a pensar: o que é realmente importante na vida? O amor, claro, é muito importante. Mas há pessoas que vivem solitárias, algumas por opção, e não o consideram assim tão necessário. O dinheiro, claro, também é muito importante. Mas há tanta gente no mundo sem dinheiro… A saúde, evidentemente, é muito importante. Mas, podemos comprar a saúde? Diz Brenan que os que põem o amor em primeiro lugar o fazem porque têm a barriga cheia. Se tivessem a barriga vazia todos os dias, escolheriam o dinheiro. Se a saúde e o dinheiro são privilégios de ricos, que lugar ocupará o amor? Será, dos ricos, o supino privilégio? Que acham?
quarta-feira, fevereiro 7
segunda-feira, fevereiro 5
Je suis comme le roi d'un pays pluvieux
Riche, mais impuissant, jeune et pourtant très-vieux,
Qui, de ses précepteurs méprisant les courbettes,
S'ennuie avec ses chiens comme avec d'autres bêtes.
Rien ne peut l'égayer, ni gibier, ni faucon,
Ni son peuple mourant en face du balcon.
Du bouffon favori la grotesque ballade
Ne distrait plus le front de ce cruel malade;
Son lit fleurdelisé se transforme en tombeau,
Et les dames d'atour, pour qui tout prince est beau,
Ne savent plus trouver d'impudique toilette
Pour tirer un souris de ce jeune squelette.
Le savant qui lui fait de l'or n'a jamais pu
De son être extirper l'élément corrompu,
Et dans ces bains de sang qui des Romains nous viennent,
Et dont sur leurs vieux jours les puissants se souviennent,
Il n'a su réchauffer ce cadavre hébété
Où coule au lieu de sang l'eau verte du Léthé.
Charles Baudelaire
quarta-feira, janeiro 31
Num livro conhecido e muito interessante, A conquista da felicidade, diz a dado passo o grande filósofo Bertrand Russel:
A raiz do mal reside no facto de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte da felicidade. Não nego que o sentimento do triunfo torna a vida mais agradável. Um pintor, por exemplo, que viveu obscuramente na juventude, decerto se sentirá feliz se o seu talento acabar por ser reconhecido. Não nego também que o dinheiro, até um certo limite, é capaz de aumentar a felicidade; para lá desse limite, julgo que não. O que eu afirmo é que o êxito só pode ser um dos vários elementos da felicidade e que é demasiado o preço pelo qual se obtém se a ele se sacrificam todos os outros.
quarta-feira, janeiro 17
quinta-feira, janeiro 11
quinta-feira, janeiro 4
Notícia de um jornal brasileiro:
Mulher distribui dinheiro em ônibus na véspera de Natal.
Uma mulher subiu em ônibus, cumprimentou os passageiros com "Feliz Natal" e entregou a cada um dele um cartão e uma nota de US$ 50 antes de sair e fazer o mesmo no ônibus seguinte em Spokane, Estado de Washington, nos Estados Unidos.
A acção da mulher foi tão rápida que as descrições sobre a benfeitora são divergentes. "Ela manteve sua cabeça baixa. Nunca a vi antes", disse o motorista Max Clemons. "Havia um jovem no fundo do ônibus. Ele estava quase chorando e disse que 'ela não sabe o quanto isso vai significar no Natal' em inglês com sotaque forte."
Dan Kolberto, porta-voz do sistema de trânsito da cidade, disse que não foi possível identificar a mulher e parece que o acto não faz parte de uma campanha de marketing.
A mulher distribuiu envelopes que diziam "de um amigo a um amigo". "A pessoas naquela linha realmente precisavam do dinheiro", disse o motorista.
Como diria Sttau Monteiro, felizmente há luar.
sexta-feira, dezembro 29
domingo, dezembro 24
quinta-feira, dezembro 21
quarta-feira, dezembro 20
sexta-feira, dezembro 15
2. Explicitação das tipologias.
2. Tipologia do dinheiro: de Afonso I a Afonso II
3. Tipologia do dinheiro: de Afonso III a D. Fernando
a) Cruz
b) Escudetes
c) Legendas
d) Diferentes
e) Metrologia
e1) Peso e Lei
e2) Módulo
3. Considerações gerais
4. A classificação será feita prioritariamente pelas variantes da morfologia e pela disposição dos elementos que cantonam a cruz. São conhecidas de momento 40 variantes. Há a possibilidade de encontrarmos outras.
O quadro organizativo contemplará ( aproveita-se o quadro de Maria Ferro: Catálogo, 1978):
0 – Foto da moeda: anverso e reverso
A – Nº da espécie catalogada
B – Cronologia
C – Classificação
D – Metal
E – Peso (grs)
F – Módulo (mm)
G – Valor nominal
H – Legenda:
H1 – Anverso
H2 – Reverso
I – Tipo:
I1 – Anverso
I2 – Reverso
J – Eixo
L – Casa da Moeda
M – Processo de amoedação
N – Estado de conservação
O – Observações pertinentes
quinta-feira, dezembro 14
quarta-feira, dezembro 13
segunda-feira, dezembro 11
quarta-feira, dezembro 6
PASSOU O OUTONO...
Passou o Outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido Inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.
Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?
Camilo Pessanha, Clepsidra
segunda-feira, dezembro 4
quinta-feira, novembro 30
terça-feira, novembro 28
segunda-feira, novembro 27
sábado, novembro 25
quarta-feira, novembro 22
segunda-feira, novembro 20
Por definição, o complemento de nome é o constituinte do grupo nominal que se encontra à direita do núcleo e é seleccionado por ele. Logo, pode ser um grupo adjectival, preposicional ou frásico. Até aqui tudo bem, nenhuma dificuldade. Mas, e aqui está a dificuldade, como saber se o complemento é seleccionado pelo nome? Eis como o factor semântico é fundamental. Quem disse que a semântica não interessa?
domingo, novembro 19
quinta-feira, novembro 16
terça-feira, novembro 14
A expressão não parece a mais correcta, mas se o povo a diz, é porque existe. Compreende-se: a nossa vida tem dias melhores e outros piores, às vezes apetece-nos partir a loiça toda, outras somos uns anjinhos, muito calmos e molengas. Portugal também tem dias, tudo depende da disposição dos nossos governantes. Eu gostava que o meu país tivesse mais milénios, mais séculos, e que os portugueses o amassem profundamente, como se ama o pai e a mãe, e a terra que nos viu nascer. Não sei, porém, se terá dias. Que a coisa, como dizem os nossos gerundivos brasileiros, tá rolando preta, tudo fugindo prà estranja em busca do pãozinho. Sei não...
segunda-feira, novembro 13
domingo, novembro 12
O rato vai morrer. Quem o afirma é Bill Gates, o patrão da Microsoft. E o papel. E, já agora, o teclado. Para as árvores, a notícia é excelente. Para os fabricantes de teclados, é má, muito má. Para os ratos, coitados, nem se fala. Segundo Gates, o ritmo da evolução tecnológica vai aumentar. Tudo será resolvido pela voz e pelas mãos. Ainda bem que o tacto vai continuar com função, convém, não é verdade? Os chineses é que não parecem muito preocupados com estas inovações. Aliás, tentam impedi-las a todo o custo. Mas, Internet para quê, perguntam os chineses, que crescem em taxas de mais de dez por cento ao ano. E realmente… Gates é um retórico. Pergunta ele, referindo-se à China: interessa ou não que a Internet possibilite um maior acesso à informação disponível naquele país? Grande pergunta. E se transferíssemos a mesma pergunta para este pequenino Portugal?
sexta-feira, novembro 10
QUADRANTE DE OSSONOBA?
De acordo com Alberto Gomes, em Moedas Portuguesas, 2001:38 “Ossonoba identifica-se com a primitiva povoação, de origem anterior ao domínio romano, presumivelmente de fundação cartaginesa, existente no local onde é a cidade de Faro. Todavia, foi anteriormente localizada no sítio de Mireu, em Estoi, a 9 Km da capital do Algarve. Durante o século I a.C. bateu moeda talvez em duas épocas diferentes, a que correspondem tipologias diferenciadas, de que se conhecem presumíveis dupôndios em cobre e divisores em chumbo, estes quase todos mostrando bastante desgaste”.
Não deixa de ser interessante a referência a presumíveis dupôndios quando, na página 38, surge um dupôndio com 23,10 g e referência 28.02.
A verdade é que possuo dois exemplares de OSSONOBA muito desgastados, de que o da imagem é um dos exemplos. Tenho dificuldade em classificá-lo. Parece-me um quadrante, mas também pode ser um sextante. À esquerda é visível uma nave; à direita, um atum e, debaixo, a referência OSO. O material é o chumbo, o diâmetro é de 13 mm e o peso 2,6 gramas.
Gostaria que me ajudassem a classificá-lo. Já agora, podemos aproveitar para aprofundar o conhecimento destas moedas de OSSONOBA.
quarta-feira, novembro 8
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terça-feira, novembro 7
SÓLIDO DE REQUIÁRIO?
Marques Mendes alia-se a Jardim no voto sobre a lei das finanças regionais. Em Política, parece não haver princípios, nem vergonha.
Eduardo Prado Coelho, PÚBLICO, 06-11-2006
segunda-feira, novembro 6
Dizem os psicólogos: a televisão é parcialmente responsável pela violência infantil. E explicam tal facto com a forma como os filmes são feitos, com os valores que são implicitamente transmitidos, com a valoração de heróis que vencem sempre os seus inimigos à força da bala, do murro ou da patada. Dantes, o cow-boy era o herói. Os vilões eram os índios. E os heróis ganhavam soprando, ufanos, o cano do revólver, enquanto o pobre índio agonizava, impotente, com os seus frágeis arco e flecha. Hoje temos o grande Super-Homem, o inimitável Homem-Aranha, o horrível Dragon Ball e todos os estilhaços esqueléticos que voam pelos ares. Hoje já ninguém lê contos de fadas.
Preocupados, os psicólogos berram com os pais. A culpa é deles, que não filtram o que os filhos vêem. E têm parcialmente razão. Mas, perante a miserável e exigente vida actual, que pais podem estar sistematicamente perto dos filhos para controlarem aquilo que vêem? Eu diria que é uma missão quase impossível, e que os nossos filhos são espectadores e sujeitos da violência imposta.
Se a televisão, a Internet, são hoje instrumentos insubstituíveis na sociedade actual, não lhes competirá, à partida, a filtragem dos conteúdos e das imagens violentas?
Com um controlo mínimo e sub-reptício, sempre dei aos meus filhos liberdade e autonomia para verem e lerem o que quisessem. Mas sempre me preocupei em conversar com eles sobre alguns conteúdos, sobre algumas mensagens ou imagens mais perturbadoras. Não sei se consegui educá-los bem a cem por cento. Sei, no entanto, que são jovens calmos, ponderados, alegres e ciosos de aprender. Oxalá todos os pais pudessem agir com os filhos como eu tenho agido. Mas, às vezes, nós agimos e a coisa corre torta. Educar é tão difícil…
domingo, novembro 5
sábado, novembro 4
Diz Mido, o internacional egípcio do Tottenham, a propósito de Mourinho:
A primeira vez que ouvi falar de Mourinho foi quando estive emprestado ao Celta de Vigo e o Benni McCarthy foi cedido ao Porto. Perguntei-lhe por que razão trocava o futebol espanhol pelo português e ele respondeu-me “porque têm um treinador fantástico. Não é fácil manter todos os jogadores motivados quando se tem uma grande equipa, todos falam sobre ele com um grande respeito".
Pois é. Este tipo de respeito conquista-se pelo exemplo. Ninguém o impõe, é impossível. Os outros falam assim de Mourinho. Os nossos, com a célebre dor de cotovelo, é o que se vê.
quinta-feira, novembro 2
quarta-feira, novembro 1
Porque
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.
segunda-feira, outubro 30
UM PONTINHO, NADA MAU...
O que sabemos é que entre 1580 e 1640 Portugal foi governado pelos Filipes espanhóis. Com a Restauração, em 1640, e com o esforço de guerra, o país necessitava de recuperar a credibilidade económica. D. João IV publicou vários decretos para evitar a fuga de valores, ouro, prata e outros metais, e para reajustar o valor da própria moeda. Por alvará de 1 e 3 de Fevereiro de 1642, e dado que não era possível fundir e cunhar toda a moeda de prata que circulava no reino, determinou-se contramarcar várias moedas com os desenhos de 120, 100, 60 e S0. A marca de 60 reis foi aposta no meio tostão de D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, Governadores do reino e Filipes. Por conveniência, foi também aposto no real de Espanha.