quinta-feira, março 22
quarta-feira, março 21
O soft embalmer of the still midnight,
Shutting, with careful fingers and benign,
Our gloom-pleas'd eyes, embower'd from the light,
Enshaded in forgetfulness divine:
O soothest Sleep! if so it please thee, close
In midst of this thine hymn my willing eyes,
Or wait the "Amen," ere thy poppy throws
Around my bed its lulling charities.
Then save me, or the passed day will shine
Upon my pillow, breeding many woes,--
Save me from curious Conscience, that still lords
Its strength for darkness, burrowing like a mole;
Turn the key deftly in the oiled wards,
And seal the hushed Casket of my Soul.
John Keats
domingo, março 18
sábado, março 17
quarta-feira, março 14
A propósito da guerra no Iraque, diz o sueco Hans Blix, ex-inspector-chefe de armas das Nações Unidas, que Bush e Blair puseram pontos de exclamação em vez de pontos de interrogação, onde estavam perguntas, eles mudaram-nas para afirmações. Se o sueco o diz, é porque é verdade. E as consequências estão a ser terríveis. Quem diz que os sinais de pontuação não são importantes? Mudar de uma interrogação para um singelo ponto final equivale a uma guerra sangrenta e desnecessária. Como é possível que políticos “responsáveis” ajam desta forma despudorada sem receberem o merecido castigo? Blair vai embora nas calmas faiscando pepsodente. Bush passeia hipocrisias pela América latina. No entretanto, sofre-se no Iraque. Y no pasa nada…
domingo, março 11
quinta-feira, março 1
Segundo O DN de hoje, “os cidadãos que fazem mais lixo poderão vir a pagar mais. O Governo está a estudar a implementação de uma tarifa do lixo cobrada consoante a quantidade de resíduos produzidos. O conceito pay as you throw (pague consoante o que deita) pretende tornar mais justo o custo do tratamento dos resíduos, penalizando quem tem menor consciência ambiental. Na prática, poderá significar cobrar um preço consoante o peso ou o volume do saco do lixo”. Estou mesmo a imaginar a cena: adeus Sameiro, adeus Bom-Jesus, adeus Gerês… Porque, está claramente visto, se o português tiver de pagar ao quilo o lixo que produz, vai despejá-lo direitinho nas faldas das serras ou das montanhas. E lá se vai a nossa linda paisagem. Eu acho é que esta gente não conhece o chico português…
domingo, fevereiro 25
sábado, fevereiro 24
Diz Ivo Castro:
Não é o escritor, mas o gramático normativo quem fixa a norma; o escritor é o pretexto.
Se a norma fosse fixada por linguistas, e não por gramáticos, seria certamente mais respeitadora dos fenómenos de variação e dos actos de fala reais e verificáveis.
(...)
Contava Celso Cunha que Augusto Abelaira, incerto quanto a uma construção sintáctica infelizmente não identificada, pegou na Gramática do Português Contemporâneo para verificar se ela estava atestada; estava, mas atestada por uma citação do próprio Abelaira, que me confirmou a anedota.
quinta-feira, fevereiro 22
Existem várias formas possíveis para criar gentílicos, as mais comuns são as formadas por sufixos como -ês (em português), -ense (em macaense) e -ano (americano).
A formação dos gentílicos nem sempre consiste na junção de um prefixo à base do topónimo, este é um processo mais complexo, por exemplo, o gentílico de Castelo Branco é albicastrense e não *castelo-branquês, *castelo-branquense ou *castelo-brancano.
O Portal da Língua Portuguesa disponibiliza uma lista onde poderá consultar os diversos topónimos e respectivos gentílicos ordenados alfabeticamente, a pesquisa pode ser feita clicando:
na letra inicial do gentílico;
no nome do país;
no nome de distrito (para Portugal) e estado (para Brasil);
no nome do local (país, território)."
terça-feira, fevereiro 20
A descrição inicial é de um horrendo sublime:
Não acabava, quando ua figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura;
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má e a cor terrena e pálida;
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos.
A exposição emocional do gigante – um choro medonho - é, também ela, de uma beleza inigualável.
Já néscio, já da guerra desistindo,
Uma noite, de Dóris prometida,
Me aparece de longe o gesto lindo
Da branca Tétis, única, despida.
Como doudo corri de longe, abrindo
Os braços para aquela que era vida
Deste corpo, e começo os olhos belos
A lhe beijar, as faces e os cabelos.
…
Foi este contraste entre o horrendo e o belo, um exterior, outro interior, mas pertença do mesmo ser, que me levou a devorar Os Lusíadas e a relê-lo sempre com acrescido entusiasmo.
Camões é um enormíssimo poeta. Leiam-no, por favor!
segunda-feira, fevereiro 19
Procura-se a palavra, o seu significado. Em Finisterra, de Carlos de Oliveira, é planta de seiva leitosa, purificadora. Se a ideia existe e a palavra não, inventa-se a palavra. Releio cinquenta e uma vezes esta obra-prima e fico na paisagem. Talvez em breve a sinta preencher com seres imaginados, os aranhiços, as areias enormes, os bois em movimento. O povoamento. Talvez eu sinta a transfiguração final e compreenda a mensagem. Ansiosamente aguardo. Entretanto, ofereço aos leitores a ligação. Francesa, mas muito interessante. Aproveitem a lekti-ecriture.
domingo, fevereiro 18
sábado, fevereiro 17
sexta-feira, fevereiro 16
Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando Deus quiser.
Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.
Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar. . .
E venha a morte quando Deus quiser.
Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.
José Régio
quinta-feira, fevereiro 15
Francisco Manuel de Melo, Carta de Guia de Casados
De todas as grandes personalidades da literatura portuguesa, D. Francisco Manuel de Melo é, para mim, a mais extraordinária. Quando li, pela primeira vez, a Carta de Guia de Casados, fiquei absolutamente deslumbrado com a visão que o escritor tinha da mulher portuguesa. Claro que lida à distância de tantos anos, com a transformação cultural entretanto acontecida, a Carta nos força o sorriso. Mas que nos informa acerca do relacionamento marital da época, inflexivelmente patriarcal, isso é uma evidência. Leiamo-lo:
Dizia um nosso cortesão, havia três castas de casamento no mundo: casamento de Deus, casamento do diabo, casamento de morte. De Deus, o do mancebo com a moça. Do diabo, o da velha com o mancebo. Da morte, o da moça com o velho.
Ele certo tinha razão porque os casados moços podem viver com alegria; as velhas casadas com moços vivem em perpétua discórdia; os velhos casados com moças apressam a morte, ora pelas desconfianças, ora pelas demasias.
quarta-feira, fevereiro 14
O senhor Cunha tem o gabinete à cunha por causa das cunhas. Coitado do homem! Denominaram-no assim, que há-de fazer? Coitado dele e coitadas das palavras, que não têm culpa nenhuma das nevralgias humanas. Pensando bem: se meto uma cunha para firmar dois objectos, que abjectos cunham os que, de havano em riste, fumegam no gabinete à cunha? Quem souber responder que responda.
segunda-feira, fevereiro 12
sábado, fevereiro 10
Li há tempos Thoughts in a Dry Season, de G. Brenan. Enquanto lia, lembrei-me daquela famosa canção, creio que espanhola, que diz tres cosas hay en la vida, salud, diñero y amor… Por acaso, uma canção muito bonita, pois transmite uma mensagem positiva a todo o ser humano. E dei por mim a pensar: o que é realmente importante na vida? O amor, claro, é muito importante. Mas há pessoas que vivem solitárias, algumas por opção, e não o consideram assim tão necessário. O dinheiro, claro, também é muito importante. Mas há tanta gente no mundo sem dinheiro… A saúde, evidentemente, é muito importante. Mas, podemos comprar a saúde? Diz Brenan que os que põem o amor em primeiro lugar o fazem porque têm a barriga cheia. Se tivessem a barriga vazia todos os dias, escolheriam o dinheiro. Se a saúde e o dinheiro são privilégios de ricos, que lugar ocupará o amor? Será, dos ricos, o supino privilégio? Que acham?
quarta-feira, fevereiro 7
segunda-feira, fevereiro 5
Je suis comme le roi d'un pays pluvieux
Riche, mais impuissant, jeune et pourtant très-vieux,
Qui, de ses précepteurs méprisant les courbettes,
S'ennuie avec ses chiens comme avec d'autres bêtes.
Rien ne peut l'égayer, ni gibier, ni faucon,
Ni son peuple mourant en face du balcon.
Du bouffon favori la grotesque ballade
Ne distrait plus le front de ce cruel malade;
Son lit fleurdelisé se transforme en tombeau,
Et les dames d'atour, pour qui tout prince est beau,
Ne savent plus trouver d'impudique toilette
Pour tirer un souris de ce jeune squelette.
Le savant qui lui fait de l'or n'a jamais pu
De son être extirper l'élément corrompu,
Et dans ces bains de sang qui des Romains nous viennent,
Et dont sur leurs vieux jours les puissants se souviennent,
Il n'a su réchauffer ce cadavre hébété
Où coule au lieu de sang l'eau verte du Léthé.
Charles Baudelaire
quarta-feira, janeiro 31
Num livro conhecido e muito interessante, A conquista da felicidade, diz a dado passo o grande filósofo Bertrand Russel:
A raiz do mal reside no facto de se insistir demasiadamente que no êxito da competição está a principal fonte da felicidade. Não nego que o sentimento do triunfo torna a vida mais agradável. Um pintor, por exemplo, que viveu obscuramente na juventude, decerto se sentirá feliz se o seu talento acabar por ser reconhecido. Não nego também que o dinheiro, até um certo limite, é capaz de aumentar a felicidade; para lá desse limite, julgo que não. O que eu afirmo é que o êxito só pode ser um dos vários elementos da felicidade e que é demasiado o preço pelo qual se obtém se a ele se sacrificam todos os outros.
quarta-feira, janeiro 17
quinta-feira, janeiro 11
quinta-feira, janeiro 4
Notícia de um jornal brasileiro:
Mulher distribui dinheiro em ônibus na véspera de Natal.
Uma mulher subiu em ônibus, cumprimentou os passageiros com "Feliz Natal" e entregou a cada um dele um cartão e uma nota de US$ 50 antes de sair e fazer o mesmo no ônibus seguinte em Spokane, Estado de Washington, nos Estados Unidos.
A acção da mulher foi tão rápida que as descrições sobre a benfeitora são divergentes. "Ela manteve sua cabeça baixa. Nunca a vi antes", disse o motorista Max Clemons. "Havia um jovem no fundo do ônibus. Ele estava quase chorando e disse que 'ela não sabe o quanto isso vai significar no Natal' em inglês com sotaque forte."
Dan Kolberto, porta-voz do sistema de trânsito da cidade, disse que não foi possível identificar a mulher e parece que o acto não faz parte de uma campanha de marketing.
A mulher distribuiu envelopes que diziam "de um amigo a um amigo". "A pessoas naquela linha realmente precisavam do dinheiro", disse o motorista.
Como diria Sttau Monteiro, felizmente há luar.
sexta-feira, dezembro 29
domingo, dezembro 24
quinta-feira, dezembro 21
quarta-feira, dezembro 20
sexta-feira, dezembro 15
2. Explicitação das tipologias.
2. Tipologia do dinheiro: de Afonso I a Afonso II
3. Tipologia do dinheiro: de Afonso III a D. Fernando
a) Cruz
b) Escudetes
c) Legendas
d) Diferentes
e) Metrologia
e1) Peso e Lei
e2) Módulo
3. Considerações gerais
4. A classificação será feita prioritariamente pelas variantes da morfologia e pela disposição dos elementos que cantonam a cruz. São conhecidas de momento 40 variantes. Há a possibilidade de encontrarmos outras.
O quadro organizativo contemplará ( aproveita-se o quadro de Maria Ferro: Catálogo, 1978):
0 – Foto da moeda: anverso e reverso
A – Nº da espécie catalogada
B – Cronologia
C – Classificação
D – Metal
E – Peso (grs)
F – Módulo (mm)
G – Valor nominal
H – Legenda:
H1 – Anverso
H2 – Reverso
I – Tipo:
I1 – Anverso
I2 – Reverso
J – Eixo
L – Casa da Moeda
M – Processo de amoedação
N – Estado de conservação
O – Observações pertinentes
quinta-feira, dezembro 14
quarta-feira, dezembro 13
segunda-feira, dezembro 11
quarta-feira, dezembro 6
PASSOU O OUTONO...
Passou o Outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido Inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.
Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?
Camilo Pessanha, Clepsidra
segunda-feira, dezembro 4
quinta-feira, novembro 30
terça-feira, novembro 28
segunda-feira, novembro 27
sábado, novembro 25
quarta-feira, novembro 22
segunda-feira, novembro 20
Por definição, o complemento de nome é o constituinte do grupo nominal que se encontra à direita do núcleo e é seleccionado por ele. Logo, pode ser um grupo adjectival, preposicional ou frásico. Até aqui tudo bem, nenhuma dificuldade. Mas, e aqui está a dificuldade, como saber se o complemento é seleccionado pelo nome? Eis como o factor semântico é fundamental. Quem disse que a semântica não interessa?
domingo, novembro 19
quinta-feira, novembro 16
terça-feira, novembro 14
A expressão não parece a mais correcta, mas se o povo a diz, é porque existe. Compreende-se: a nossa vida tem dias melhores e outros piores, às vezes apetece-nos partir a loiça toda, outras somos uns anjinhos, muito calmos e molengas. Portugal também tem dias, tudo depende da disposição dos nossos governantes. Eu gostava que o meu país tivesse mais milénios, mais séculos, e que os portugueses o amassem profundamente, como se ama o pai e a mãe, e a terra que nos viu nascer. Não sei, porém, se terá dias. Que a coisa, como dizem os nossos gerundivos brasileiros, tá rolando preta, tudo fugindo prà estranja em busca do pãozinho. Sei não...
segunda-feira, novembro 13
domingo, novembro 12
O rato vai morrer. Quem o afirma é Bill Gates, o patrão da Microsoft. E o papel. E, já agora, o teclado. Para as árvores, a notícia é excelente. Para os fabricantes de teclados, é má, muito má. Para os ratos, coitados, nem se fala. Segundo Gates, o ritmo da evolução tecnológica vai aumentar. Tudo será resolvido pela voz e pelas mãos. Ainda bem que o tacto vai continuar com função, convém, não é verdade? Os chineses é que não parecem muito preocupados com estas inovações. Aliás, tentam impedi-las a todo o custo. Mas, Internet para quê, perguntam os chineses, que crescem em taxas de mais de dez por cento ao ano. E realmente… Gates é um retórico. Pergunta ele, referindo-se à China: interessa ou não que a Internet possibilite um maior acesso à informação disponível naquele país? Grande pergunta. E se transferíssemos a mesma pergunta para este pequenino Portugal?
sexta-feira, novembro 10
QUADRANTE DE OSSONOBA?
De acordo com Alberto Gomes, em Moedas Portuguesas, 2001:38 “Ossonoba identifica-se com a primitiva povoação, de origem anterior ao domínio romano, presumivelmente de fundação cartaginesa, existente no local onde é a cidade de Faro. Todavia, foi anteriormente localizada no sítio de Mireu, em Estoi, a 9 Km da capital do Algarve. Durante o século I a.C. bateu moeda talvez em duas épocas diferentes, a que correspondem tipologias diferenciadas, de que se conhecem presumíveis dupôndios em cobre e divisores em chumbo, estes quase todos mostrando bastante desgaste”.
Não deixa de ser interessante a referência a presumíveis dupôndios quando, na página 38, surge um dupôndio com 23,10 g e referência 28.02.
A verdade é que possuo dois exemplares de OSSONOBA muito desgastados, de que o da imagem é um dos exemplos. Tenho dificuldade em classificá-lo. Parece-me um quadrante, mas também pode ser um sextante. À esquerda é visível uma nave; à direita, um atum e, debaixo, a referência OSO. O material é o chumbo, o diâmetro é de 13 mm e o peso 2,6 gramas.
Gostaria que me ajudassem a classificá-lo. Já agora, podemos aproveitar para aprofundar o conhecimento destas moedas de OSSONOBA.
quarta-feira, novembro 8
http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?t=8300
http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?t=8182
http://www.forum-numismatica.com/viewtopic.php?t=8223
terça-feira, novembro 7
SÓLIDO DE REQUIÁRIO?
Marques Mendes alia-se a Jardim no voto sobre a lei das finanças regionais. Em Política, parece não haver princípios, nem vergonha.
Eduardo Prado Coelho, PÚBLICO, 06-11-2006
segunda-feira, novembro 6
Dizem os psicólogos: a televisão é parcialmente responsável pela violência infantil. E explicam tal facto com a forma como os filmes são feitos, com os valores que são implicitamente transmitidos, com a valoração de heróis que vencem sempre os seus inimigos à força da bala, do murro ou da patada. Dantes, o cow-boy era o herói. Os vilões eram os índios. E os heróis ganhavam soprando, ufanos, o cano do revólver, enquanto o pobre índio agonizava, impotente, com os seus frágeis arco e flecha. Hoje temos o grande Super-Homem, o inimitável Homem-Aranha, o horrível Dragon Ball e todos os estilhaços esqueléticos que voam pelos ares. Hoje já ninguém lê contos de fadas.
Preocupados, os psicólogos berram com os pais. A culpa é deles, que não filtram o que os filhos vêem. E têm parcialmente razão. Mas, perante a miserável e exigente vida actual, que pais podem estar sistematicamente perto dos filhos para controlarem aquilo que vêem? Eu diria que é uma missão quase impossível, e que os nossos filhos são espectadores e sujeitos da violência imposta.
Se a televisão, a Internet, são hoje instrumentos insubstituíveis na sociedade actual, não lhes competirá, à partida, a filtragem dos conteúdos e das imagens violentas?
Com um controlo mínimo e sub-reptício, sempre dei aos meus filhos liberdade e autonomia para verem e lerem o que quisessem. Mas sempre me preocupei em conversar com eles sobre alguns conteúdos, sobre algumas mensagens ou imagens mais perturbadoras. Não sei se consegui educá-los bem a cem por cento. Sei, no entanto, que são jovens calmos, ponderados, alegres e ciosos de aprender. Oxalá todos os pais pudessem agir com os filhos como eu tenho agido. Mas, às vezes, nós agimos e a coisa corre torta. Educar é tão difícil…
domingo, novembro 5
sábado, novembro 4
Diz Mido, o internacional egípcio do Tottenham, a propósito de Mourinho:
A primeira vez que ouvi falar de Mourinho foi quando estive emprestado ao Celta de Vigo e o Benni McCarthy foi cedido ao Porto. Perguntei-lhe por que razão trocava o futebol espanhol pelo português e ele respondeu-me “porque têm um treinador fantástico. Não é fácil manter todos os jogadores motivados quando se tem uma grande equipa, todos falam sobre ele com um grande respeito".
Pois é. Este tipo de respeito conquista-se pelo exemplo. Ninguém o impõe, é impossível. Os outros falam assim de Mourinho. Os nossos, com a célebre dor de cotovelo, é o que se vê.
quinta-feira, novembro 2
quarta-feira, novembro 1
Porque
Porque os outros se mascaram e tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não
Porque os outros são os túmulos calados
Onde germina calada podridão
Porque os outros se calam mas tu não
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo
Porque os outros são hábeis mas tu não
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.
segunda-feira, outubro 30
UM PONTINHO, NADA MAU...
O que sabemos é que entre 1580 e 1640 Portugal foi governado pelos Filipes espanhóis. Com a Restauração, em 1640, e com o esforço de guerra, o país necessitava de recuperar a credibilidade económica. D. João IV publicou vários decretos para evitar a fuga de valores, ouro, prata e outros metais, e para reajustar o valor da própria moeda. Por alvará de 1 e 3 de Fevereiro de 1642, e dado que não era possível fundir e cunhar toda a moeda de prata que circulava no reino, determinou-se contramarcar várias moedas com os desenhos de 120, 100, 60 e S0. A marca de 60 reis foi aposta no meio tostão de D. Manuel I, D. João III, D. Sebastião, Governadores do reino e Filipes. Por conveniência, foi também aposto no real de Espanha.
domingo, outubro 29
sexta-feira, outubro 27
quinta-feira, outubro 26
quarta-feira, outubro 25
terça-feira, outubro 24
segunda-feira, outubro 23
domingo, outubro 22
O papa Bento XVI acaba de usar a força deste mito aplicando-a ao comportamento do ser humano actual. Os avanços em Inteligência Artificial possuem um potencial transformador de tal modo profundo que devemos parar um momento para analisar as consequências éticas deles resultantes. Usar embriões humanos na própria medicina é, por exemplo, um dos aspectos a considerar, pois põe em causa a nossa própria condição humana. Podemos criticar a Igreja pelo seu posicionamento em vários temas, mas acho pertinente o uso que o Papa faz do mito: a ciência, frágil e sem fundamentação ética bem alicerçada, vai chocar frontalmente com o Sol. Isto se, entretanto, a cera não se derreter pelo caminho...
sábado, outubro 21
sexta-feira, outubro 20
1/2 VINTÉM D. JOÃO II
Bom dia!
quinta-feira, outubro 19
FELIZ ANIVERSÁRIO
A BIRTHDAY
Christina Rossetti
My heart is like a singing bird
Whose nest is in a water'd shoot;
My heart is like an apple-tree
Whose boughs are bent with thick-set fruit;
My heart is like a rainbow shell
That paddles in a halcyon sea;
My heart is gladder than all these,
Because my love is come to me.
Raise me a daïs of silk and down;
Hang it with vair and purple dyes;
Carve it in doves and pomegranates,
And peacocks with a hundred eyes;
Work it in gold and silver grapes,
In leaves and silver fleurs-de-lys;
Because the birthday of my life
Is come, my love is come to me.
Qu'est ce qu'une femme ? C'est un être qui ressemble à un homme mais qui réfléchit toujours comme un enfant. Toute femme a quatorze ans, dit-on. Un être égal à l'homme ? Jamais ! On l'aime parce que comme un arbre, elle peut donner des fruits, c'est-à-dire des enfants. Et comme un arbre, sous son ombre, on peut se reposer, elle peut vous procurer du plaisir.
Voilà la conversation que j'ai eue un jour avec un homme à la clôture d'une conférence. Et à partir de ce jour, j'ai compris que les femmes, non seulement en RDCongo, mon pays, mais dans beaucoup de pays du tiers monde, étaient enchaînées. Enchaînées par les coutumes, enchaînées par les hommes, enchaînées même par leur propre peur de se libérer, d'oser.
Leio esta entrevista, penso nas mulheres do meu país, na sua progressiva emancipação, e tento imaginar a sua função em sociedades com culturas e mentalidades tão marcadamente patriarcais. Tento imaginar, não sei é se consigo chegar lá…
quarta-feira, outubro 18
De vez em quando, há uns tremeliques na net, as estatísticas escoiceiam as mentes mais ousadas que, na ânsia de visitações, lá vão tecendo loas à coitada da Aninhas ou à ousada e marítima Cicarelli. Por aqui, o truque poderia ser o Eça de Queirós, muito badalado nas aulas portuguesaicas. Mas, porém e todavia, talvez não fosse tanto assim. Porque isto de procurar Os Maias não tem, reconheçamos, a importância visual e emotiva de ver as poses da Paris Hilton, ou os tiques da buereré Malhoa em pleno sobressalto. Escolhas. Compreensíveis, aliás.
terça-feira, outubro 17
EUGÉNIO DE ANDRADE
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros
e a luz impura, até doer.
É urgente o amor,
é urgente permanecer.
O presidente do Governo Autónomo dos Açores recusa aplicar taxas de internamento. O argumento é simples e linear:"Eu não posso dizer a um utente pobre que necessite de internamento: ' O senhor não tem dinheiro e ficará em sua casa e morrerá”. Carlos César é um homem sensível. E faz bem ao recusar-se. O direito a cuidados de saúde básicos é um direito inalienável, e nenhum governo deveria pô-lo em causa. Ao instituir o princípio “ se não tens dinheiro morres”, este governo prova que despreza os pobres e os infortunados e isso é socialmente inaceitável.
Estamos entregues à bicharada. Os salários estão congelados há séculos. A inflação deglute a todo o momento quaisquer economias. A água sobe e com ela a taxa do lixo. A gasolina sobe, mas quase nunca baixa. Os medicamentos sobem e as comparticipações desaparecem. As taxas moderadoras sobem. Os internamentos sobem. Os direitos descem, ou antes, desaparecem. O povo português já só tem obrigações, não tem direitos. Agora a electricidade vai aumentar 15,7 por cento para quase todos os consumidores. Incrível, não é? E ninguém se importa. Ou antes: ELES importam-se, mas com ELES. Até um dia.
segunda-feira, outubro 16
De calaim são feitos o malaquês de D. Manuel I, o bastardo de D. João III e de D. Sebastião, etc. No livro de Ferraro Vaz, Dinheiro Luso-Indiano, parece haver alguma confusão com tutanaga, que era uma liga esbranquiçada de cobre, zinco e níquel, com um pouco de ferro, prata ou arsénio.
Em obras recentes, o neurobiólogo português António Damásio, expondo resultados da sua investigação na Universidade de Iowa, Estados Unidos, questiona a tese cartesiana do cogito ergo suum, a qual fundamenta a afirmação universal de que o ser humano é um ser racional. Com Damásio, a razão abre as suas portas à emoção de tal forma que, de repente, o paradigma civilizacional parece inverter-se: a emoção está na moda, a razão já foi.
Há dias, procurava eu nos dicionários a palavra xi-coração, usada em todos os cantos pelos falantes do português. Procurei-a, mas não a encontrei. Encontrei a forma chi-coração que, assumindo-se a função normalizadora dos dicionários, será a forma correcta. Das duas formas, prefiro a que leva um X. Já repararam que o X contém a sugestão do abraço apertado que, afinal, a palavra significa? Em CHI não sinto isso, parece-me uma forma insípida de representar a profundidade da emoção.
Num fórum em que participo, esclarecemos este aspecto. Racionalmente, deveremos escrever CHI-CORAÇÃO, pois assim o diz o dicionário. Mas qual quê? A emoção prevalece, e todos continuam a escrever XI-CORAÇÃO. Perante isto, que fará o dicionarista? Cada vez me inclino mais para as teses de Damásio.
domingo, outubro 15
Camilo Pessanha
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,
- Perdida voz que de entre as mais se exila,
- Festões de som dissimulando a hora.
Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.
E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?
Só, incessante, um som de flauta chora...
sábado, outubro 14
Não sei qual a razão para o excesso de faltas. Existe uma lei que o penaliza, e a lei é para cumprir.
Também sei que, na estrutura actual, de responsabilização dos pais (então a ministra não quer pôr os pais a avaliar os professores?), deveria ser suficiente a justificação das faltas por si apresentadas. Nenhum pai quererá que o seu filho falte à escola, e se isso acontece é porque existem motivos ponderosos. Portanto: se o pai justifica as faltas, elas devem ser imediatamente justificadas pela escola.
Não se compreende, portanto, que falta de senso houve numa escola que reteve, no sétimo ano, uma aluna de alto nível.
O Ministério, como sempre, lava as suas mãos, e propõe que a aluna transite ao abrigo de uma lei feita para os sobredotados. É de gargalhar.
Tudo se resume, na minha opinião, a uma questão de poder. Imagino que o Conselho de Turma se limitou a cumprir a lei. Se o fez, fez mal. Imagino também que houve questões pessoais pelo meio, só pode ter sido. Porque isto de reprovar uma aluna de aproveitamento excelente não lembra nem ao diabo, seja quais forem as circunstâncias. Porque se a escola faz isto, para que serve a escola? É tudo uma questão de bom senso.