A MOEDA
Diz Meillet que moneta era o templo
de Juno Moneta, deusa da maternidade. Era ali, no templo, que se cunhava a
moeda, transformado, assim, em oficina monetária, ou em ceca, como dizem
nuestros hermanos. A moeda corrente, ou dinheiro, como gostamos de dizer, é
muito boa quando tine no nosso bolso, ou se esfolheia na carteira. Em tempos de
aturdimento, porém, ela esvoaça, inclina as asas não sei onde, evola-se como o
nevrálgico fumo das velas de cera que tenho aqui por casa. Termos relativos à
moeda, usados aqui e ali, são mais que muitos, desde a moeda sonante à moeda de
conta, passando pela divisionária, pela forte e pela podre, ou, se assim também
se quiser, pela moeda fiduciária. Tudo conceitos em voga em época de
turbulentas economias. De todas as expressões que contêm a palavra gosto, no
entanto, de pagar na mesma moeda. Quem paga na mesma moeda sabe fazer bem as
contas, porque na viagem dos intercâmbios algo se perde ou se transforma. Por
isso, se me dão um pontapé, o melhor é devolvê-lo. Se me rasgam um olho ou me
partem um dente, o melhor é cumprir o provérbio: olho por olho, dente por
dente. E assim se paga na mesma moeda. A nossa teologia, contudo, aponta-nos
outro caminho, e conduz-nos a oferecer a paz da outra face. Que assim seja.
Mas, pensando bem: devemos pagar na
mesma moeda? E sem juros?

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