Terça-feira, Fevereiro 21


A MOEDA

Diz Meillet que moneta era o templo de Juno Moneta, deusa da maternidade. Era ali, no templo, que se cunhava a moeda, transformado, assim, em oficina monetária, ou em ceca, como dizem nuestros hermanos. A moeda corrente, ou dinheiro, como gostamos de dizer, é muito boa quando tine no nosso bolso, ou se esfolheia na carteira. Em tempos de aturdimento, porém, ela esvoaça, inclina as asas não sei onde, evola-se como o nevrálgico fumo das velas de cera que tenho aqui por casa. Termos relativos à moeda, usados aqui e ali, são mais que muitos, desde a moeda sonante à moeda de conta, passando pela divisionária, pela forte e pela podre, ou, se assim também se quiser, pela moeda fiduciária. Tudo conceitos em voga em época de turbulentas economias. De todas as expressões que contêm a palavra gosto, no entanto, de pagar na mesma moeda. Quem paga na mesma moeda sabe fazer bem as contas, porque na viagem dos intercâmbios algo se perde ou se transforma. Por isso, se me dão um pontapé, o melhor é devolvê-lo. Se me rasgam um olho ou me partem um dente, o melhor é cumprir o provérbio: olho por olho, dente por dente. E assim se paga na mesma moeda. A nossa teologia, contudo, aponta-nos outro caminho, e conduz-nos a oferecer a paz da outra face. Que assim seja.

Mas, pensando bem: devemos pagar na mesma moeda? E sem juros?

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